Desde que o regime iraniano não caiu após Estados Unidos e Israel lançarem as primeiras bombas sobre Teerã, no final de fevereiro, os interesses de Donald Trump e Binyamin Netanyahu começaram a divergir.
No início eles ainda tentavam disfarçar, mas agora, com os desenvolvimentos militares da última semana, as diferenças deram lugar a telefonemas ríspidos e vazamentos seletivos para a imprensa. Trump chegou a afirmar que Netanyahu era um "louco de m..." e que não teria "outra escolha" senão obedecê-lo. Isso não impediu o premiê israelense de responder ao ataque iraniano, contra os desejos do americano.A desinteligência entre os dois tem explicação. Trump precisa encerrar o conflito o quanto antes. Embora ele nunca vá admitir, entrar nessa guerra foi um erro. Ao fazê-lo, ele decepcionou parte de sua base eleitoral que é nitidamente isolacionista e deflagrou uma crise inflacionária eleitoralmente tóxica. Corre o risco de ver os republicanos perderem maioria nas duas casas legislativas no pleito de novembro.
Netanyahu também enfrentará as urnas, provavelmente em setembro. As pesquisas apontam para um quadro de grande fragmentação partidária, mas com maiores chances de a oposição conseguir formar o próximo governo. A melhor chance de ele continuar no poder, descartada a possibilidade de uma vitória inequívoca sobre o Irã, o Hezbollah ou o Hamas, é prolongar o conflito para tentar criar uma sensação de emergência nacional, que costuma tornar o eleitorado mais avesso a mudanças no comando do país.














