Residentes do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, afirmam cumprir jornadas de até 90 horas de trabalho por semana, em desacordo com o limite definido em lei, de 60 horas.

Uma denúncia foi feita ao CNRM (Conselho Nacional de Residência Médica), órgão do MEC (Ministério da Educação), sobre problemas nas residências de ortopedia, neurocirurgia, cirurgia geral, otorrinolaringologia e ginecologia e obstetrícia. Sob condição de anonimato, médicos relataram à Folha exaustão física e psicológica decorrente das condições de trabalho.

Gestor do hospital, o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) afirma seguir a legislação. Diz também, em nota, que prestou todos os esclarecimentos solicitados pelo CNRM e que colabora com o órgão.

Os médicos ouvidos pela reportagem afirmam que os residentes chegam a fazer plantões de 12 horas sem direito a almoço ou pausa para beber água. E que trabalham das 6h às 19h de segunda à sexta-feira, o que já ultrapassa o limite de 60 horas semanais, sem registro de ponto.

Conforme os relatos, residentes desistiram do hospital por não suportarem a rotina, e outros colegas desenvolveram depressão e ansiedade. Segundo eles, as condições de trabalho também colocam pacientes em risco.