O prédio do Ministério da Saúde em Brasília — Foto: Pablo Jacob / Agencia O Globo Meses depois de ser acusado por servidores de se transformar em um "laboratório da Reforma Administrativa", o Ministério da Saúde deu um passo na direção oposta. A pasta comandada por Alexandre Padilha encaminhou ao Ministério da Gestão um pedido para abrir concurso público com 7.027 vagas efetivas, numa das maiores solicitações de recomposição de pessoal dos últimos anos. Mas um detalhe chamou a atenção dos aprovados no concurso anterior: entre os cargos contemplados no pedido estão os de tecnologista, uma das carreiras que ainda possui candidatos aguardando eventual convocação no cadastro de reserva do primeiro Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). Embora os documentos não tratem do aproveitamento dessa lista, a inclusão do cargo foi interpretada por candidatos como um indicativo de que a demanda por esses profissionais permanece elevada dentro da pasta. O movimento ocorre após sucessivos alertas de servidores sobre a crescente dependência de vínculos temporários no ministério. Em novembro, uma comissão de aprovados apontava a existência de cerca de 3 mil contratos temporários, além de bolsistas e consultores contratados por organismos internacionais e fundações de apoio exercendo atividades semelhantes às desempenhadas por servidores de carreira. Agora, o próprio Ministério da Saúde reconhece, em documentos internos, um déficit estrutural de pessoal provocado por aposentadorias, exonerações e falecimentos, além da ampliação de suas atribuições. A nota técnica que acompanha o pedido cita insuficiência de servidores em áreas estratégicas e dificuldades operacionais decorrentes da falta de pessoal. O contraste é inevitável. No ano passado, mesmo com orçamento disponível, a pasta não obteve autorização para nomear 55 tecnologistas adicionais. Agora, pede mais de 7 mil vagas em cerca de 20 carreiras — de médicos e dentistas a sociólogos e engenheiros — e admite que as tentativas de recomposição da força de trabalho por outros meios se mostraram insuficientes. Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.