A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, definiu esta sexta-feira como "prioridade nacional" encontrar soluções para os internamentos "com alta protelada" e, assim, desocupar camas dos hospitais. Outra das propostas que anunciou foi que os utentes dos lares de idosos deixam de estar nas listas dos centros de saúde, "onde raramente conseguem ir" e passem a ser seguidos pelos médicos dos lares.Falando durante o 15.º Congresso Nacional das Misericórdias, Ana Paula Martins apontou que, em finais de Abril, havia 3493 utentes com alta clínica que permaneciam internados nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), por não terem para onde ir. "Isto diminui em 14,4% a capacidade de resposta do SNS", sublinhou. No Parlamento, na quarta-feira, Ana Paula Martins tinha dito que no total de internamentos indevidos, “405 cidadãos estão à espera que os tribunais decidam sobre o estatuto do maior acompanhado e alguns esperam há mais de um ano”.Para explicar a dimensão do problema, a ministra referiu que o peso dos internamentos protelados equivale ao fecho de 14 ou 15 unidades de hospitalares com cerca de 240 camas. "Reparem o impacto que isto tem num país que tem 39 unidades locais de saúde (ULS)", frisou.Dando outro exemplo, disse que era a mesma coisa que fechar as ULS Santa Maria, São José e Lisboa Ocidental. "Isto não é sustentável", afirmou, adiantando que o Governo "tem de encontrar soluções", sobretudo com o sector social. Garantiu que vai fazer desta questão uma "prioridade nacional", colocando-a como um "desígnio" dos ministérios da Saúde e da Segurança Social.Alertou que o problema tende a agudizar-se, pelo que considerou ser necessário encontrar soluções não só para o curto e médio prazo, mas também para o longo prazo. Isso implica, defendeu, acordos com o sector social para, pelo menos, 10 anos. "Não é com a capacidade instalada que temos hoje, que é grande, que conseguimos. Nós temos de aumentar a capacidade instalada a pensar nos próximos 10 anos", rematou.
Ministra diz que encontrar soluções para utentes com altas proteladas é “prioridade nacional”
Ana Paula Martins equiparou o peso destes internamentos ao fecho de 14 ou 15 unidades hospitalares com cerca de 240 camas. E admite que médicos de lares possam ser médicos de família dos idosos.








