A família da dona de casa Maria Marta Bezerra da Silva, 66, doente terminal que ficou dez dias internada no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, relata episódios de descaso e negligência com a paciente na unidade, administrada pelo Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual), do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Salete Moura da Silva, 45, filha da paciente, conta que a mãe era deixada muitas horas em uma mesma posição, sem ninguém que a movesse, além de ficar com a mesma fralda e sem outros cuidados de higiene por longos períodos.

Maria Marta descobriu um câncer de endométrio em 2022. Realizou consultas, quimioterapia, radioterapia e cirurgia no Hospital do Servidor. Três anos depois, recebeu o diagnóstico de metástase linfática e reiniciou o tratamento. A doença, porém, não parou de avançar. No último dia 9 de junho, durante uma sessão de quimioterapia, a paciente sofreu um AVC (acidente vascular cerebral).

"Ela perdeu a força da mão, os movimentos de um lado do corpo, a boca entortou. Minha mãe não falava", diz. A filha conta que a mãe então foi levada para a emergência do pronto-socorro e que um novo AVC ocorreu naquela madrugada. "Ela ficou no setor por mais de 48 horas", afirma Salete, que é enfermeira.