Países que precisam de trabalhadores jovens criaram novos tipos de vistos para atraí-los. A maioria desses programas nasceu após 2020, quando a pandemia acelerou a adoção do trabalho remoto.

Alemanha, Japão e Portugal, por exemplo, criaram ou reformularam vistos nos últimos dois anos. Os resultados mostram respostas diferentes a um mesmo problema.

Em junho de 2024, a Alemanha lançou a "Chancenkarte" —"cartão de oportunidades". O visto permite entrar no país por até um ano para buscar emprego sem ter contrato prévio. Para isso, é preciso ter diploma técnico ou superior e acumular ao menos seis pontos em um sistema que considera formação, experiência, idioma e idade. É preciso também comprovar cerca de € 12 mil em conta (R$ 69 mil), o que representa mais de três anos de salário mínimo no Brasil.

Durante o período de busca, é possível trabalhar até 20 horas por semana em qualquer área. Quem encontra emprego pode regularizar a situação sem precisar voltar ao Brasil.

O programa foi criado num contexto de escassez. Segundo o Ministério do Trabalho alemão, o número de trabalhadores disponíveis no país deve diminuir em 40 mil só em 2026 por fatores demográficos. Atualmente, 21% da população da Alemanha tem 67 anos ou mais, segundo o Destatis, o instituto oficial de estatísticas do país.