O ministro da Presidência afirmou esta quarta-feira que o protocolo que ficou conhecido como "via verde" para grandes empresas contratarem trabalhadores estrangeiros tem tido uma adesão crescente das empresas, com mais 20 a 30% de pedidos por mês e um total de quase seis mil vistos concedidos em cerca de um ano.O Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada foi uma modalidade que entrou em vigor em início de Abril do ano passado, com a assinatura de um protocolo entre várias entidades e as confederações empresariais, dando a possibilidade às grandes empresas de contratarem migrantes directamente nos seus países de origem.O protocolo permite emissão de vistos em 20 dias desde que as empresas candidatas cumpram vários requisitos, como assegurar alojamento e contrato de trabalho, as empresas conseguem que os trabalhadores tenham os vistos emitidos pelos consulados em 20 dias – e desde que as empresas a título individual e confederações ou associações empresariais com pelo menos 30 associados e tenham volume de negócio dos seus associados igual ou superior a 200 milhões de euros, bem como empresas que, cumulativamente, empreguem directamente 150 ou mais trabalhadores, tenham um volume de negócios igual ou superior a 20 milhões de euros, e que não tenham dívidas à Segurança Social.Falando na Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, António Leitão Amaro explicou que, até ao momento, foram feitos 8435 pedidos de vistos de emprego, ao abrigo do protocolo de migração regulada, que exige resposta em 20 dias – um número distante dos 100 mil trabalhadores estrangeiros necessários estimados por confederações de turismo, construção e agricultura quando o protocolo arrancou, e depois de o Governo acabar com a manifestação de interesse, que permitia aos estrangeiros regularizarem-se em Portugal se tivessem um ano de contribuições pagas à Segurança Social.Segundo o ministro, foram já concedidos 5883 vistos em 40 postos consulares, explicou, salientando que cerca de 3000 correspondem ao sector da agricultura e 1179 da construção civil, sectores tradicionalmente mais carenciados de mão-de-obra.No que diz respeito aos números dos vistos de trabalho, o Governo registou um aumento total, passando de até 20 mil por ano para 50 mil anuais, o que provocou um aumento total dos vistos consulares para "60 e tal mil", explicou o ministro da Presidência.Sobre o reagrupamento familiar, Leitão Amaro disse que este ano "já foram feitos 55 mil agendamentos, com 35 mil atendimentos", número que disse ser superior ao efectuado com o anterior Governo PS.Os vistos da chamada "via verde" funcionam com a assinatura de um termo de responsabilidade, pelas empresas, que asseguram aos estrangeiros o contrato de trabalho, seguros de saúde e de viagem; depois, fazem um pedido individual ou grupal à Direcção-Geral dos Assuntos Consulares (DGAC) entregando vários documentos.A DGAC envia para o posto consular referido o agendamento e presta “apoio material ou humano necessário”. O posto consular faz o agendamento do atendimento dos requerentes de visto, a análise e a instrução dos pedidos individuais de visto. A AIMA e a UCFE emitem os necessários pareceres para a concessão dos vistos em causa. Finalmente, os postos consulares “procedem à aposição das vinhetas de visto nos passaportes” –​ no caso de ser favorável.Para se ter uma ideia, em 2024, último ano com dados disponíveis, as autorizações de residência para trabalho foram quase 64 mil.