Quando a bola rolar para Brasil e Marrocos, no próximo dia 13, pela estreia da seleção na Copa do Mundo de 2026, começará também uma disputa bilionária fora dos gramados. Com jogos marcados entre 19h e 21h30, fabricantes de alimentos e bebidas, redes varejistas e aplicativos de entrega veem o torneio como oportunidade única para impulsionar vendas em um ano de consumo mais fraco. Para isso, setores de alimentação e delivery já entraram em regime de concentração, com logística reforçada, lançamento de sabores e edições limitadas. A expectativa é de crescimento de até 16% no varejo, enquanto algumas indústrias projetam avanços de até 40% durante a competição. Mas o que faz este Mundial diferente dos anteriores? Com mais partidas e período de realização mais longo, a Copa será disputada pela primeira vez de forma conjunta entre EUA, México e Canadá, o que exige das empresas operação quase ininterrupta, com reposições ágeis e abastecimento recorrente para atender à demanda. Júlio Alves, CMO de Carrefour Varejo e Sam’s Club, projeta um cenário positivo para categorias ligadas ao consumo dentro de casa e às confraternizações entre amigos e familiares. A rede investiu em snacks, bebidas e itens prontos para compartilhar de sua marca própria, que ganharam embalagens comemorativas. — Na última Copa tivemos crescimento de cerca de 12%, e a expectativa para 2026 é superar esse desempenho, alcançando avanço de 16%. A preparação envolve reforço no abastecimento e integração entre lojas físicas, e-commerce, delivery e retirada em loja. Acessórios e figurinhas Para José Rafael Vasquez, diretor executivo Comercial do Grupo Pão de Açúcar, a busca do cliente será por praticidade. Categorias como pizzas, lasanhas, snacks, pão de queijo, sanduíches, tábuas de frios e sobremesas prontas devem ganhar destaque, com crescimento esperado de 10%. — Outra frente importante é a das confraternizações. Categorias ligadas ao churrasco, como cortes nobres, linguiças especiais, queijo coalho e pão de alho, também devem apresentar crescimento relevante. Estamos nos preparando para a Copa com reforço de estoque. Mochila de entregadores do iFood ganham motivos verde-e-amarelo e o mascote da seleção vira brinde — Foto: Divulgação Na Americanas, a estratégia inclui mais de 100 mil acessórios de torcida, produtos de alimentos e bebidas. A companhia aposta nas figurinhas para impulsionar vendas. — Os clientes que compram figurinhas apresentam tíquete médio 7% superior e aumento de 56% no número de itens por pedido. Ampliamos o volume de compras em categorias estratégicas e estruturamos negociações com a indústria para garantir escala e disponibilidade — diz Paola Sinato, diretora comercial da empresa. Segundo Fabrício Tonegutti, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a Copa vai estimular o consumo em diferentes canais. — Tem gente que faz uma compra maior antes do torneio e tem quem corra ao mercado pouco antes do jogo. O movimento aparece no delivery e nas lojas de conveniência. A Copa não é apenas um evento esportivo. Ela se transforma em evento de consumo. Os fabricantes aceleram estratégias. A Ambev aposta em marcas como Brahma, Budweiser, Guaraná Antarctica, Flying Fish e Michelob Ultra. Entre as ações estão o reforço de entregas pelo Zé Delivery e o lançamento de embalagens comemorativas. A Budweiser terá garrafas de alumínio que homenageiam Copas históricas, e o Guaraná Antarctica lançará latas inspiradas nas camisas dos cinco títulos mundiais do Brasil. Latas do Guaraná Antarctica, da Ambev, têm cinco versões, uma para cada Copa conquistada pelo Brasil — Foto: Divulgação — A Copa mobiliza o país e transforma hábitos de consumo. Teremos as Arenas Brahma em cinco capitais e reforço da operação de delivery para quem assistir aos jogos em casa — diz Daniel Wakswaser, vice-presidente de Marketing da Ambev. Seleção de sabores A Coca-Cola vai reforçar o portfólio com latas especiais e novos produtos. Julio Lopez, vice-presidente de Marketing, destaca os novos sabores do isotônico Powerade, chamados Ataque e Contra-Ataque, com sabores cítricos. — A Copa representa um dos maiores investimentos da companhia ao longo do ano. Os jogos à noite potencializam os encontros e as ocasiões de compartilhamento. Além de cerveja e refrigerante, o churrasco entrou no radar. A Seara lançou produtos como coração temperado congelado, linguiça com queijo coalho, mini hambúrguer, salsicha 100% bovina e pasta de alho. A empresa também criou uma plataforma digital para venda de kits de churrasco. — Esperamos vender 40% mais do que na última Copa. Os horários dos jogos favorecem o aumento do consumo e nos preparamos para evitar rupturas nos pontos de venda — afirma Rafael Palmer, diretor de Marketing de Alimentos Preparados da companhia. A Lay’s incluiu o Brasil no lançamento global de sabores inspirados em países participantes do Mundial. Aqui, a aposta será em picanha brasileira, taco mexicano e queijo camembert francês. Varejo e indústria fazem aquecimento para salto no consumo durante Mundial, com impacto em alimentação e entregas — Foto: Divulgação — A categoria lidera a intenção de compra para os momentos dos jogos. A expectativa é transformar as salas de estar em pontos de encontro — diz Bruno Macário, diretor de Marketing da companhia. Quem também aproveita o torneio é o McDonald's, que ampliou a linha de sanduíches temáticos para 11 opções e lançará, pela primeira vez, um café inspirado no Canadá, com xarope de maple. — O destaque desta edição é a oferta “6 por 26”, ideal para quem vai se reunir com amigos e familiares para assistir aos jogos — afirma Ilca Sierra, diretora de Marketing do McDonald’s Brasil. A 3 Corações aposta no lançamento do café Robusta Amazônico Torrado e Moído para reforçar a valorização da origem brasileira no torneio. Já o iFood reforçou a infraestrutura tecnológica para atender ao aumento da demanda. Segundo Ana Gabriela Lopes, vice-presidente de Marketing da empresa, o comportamento observado em outros campeonatos tende a se repetir: — O consumidor compra em cima da hora, reforça o estoque de bebidas e snacks antes da partida e volta ao app no intervalo e no pós-jogo. Copa com arraiá A Yoki e a Kitano apostam no encontro entre a Copa e as festas juninas para impulsionar vendas. A principal novidade é a pipoca de micro-ondas sabor churrasco. A empresa ampliou a linha de snacks com amendoins crocantes nos sabores cebola e ervas e costelinha com limão. A meta é crescer até 30% nas vendas de categorias como pipoca, farofas e derivados de milho. — Quando somamos a tradição do arraiá à energia do futebol, o potencial de consumo cresce de forma natural, especialmente em categorias ligadas ao compartilhamento — afirma Fabíola Menezes, CMO de Yoki e Kitano. Com mais de 600 lojas em São Paulo, a Oxxo ampliou espaços de convivência e reforçou o abastecimento. — Esperamos crescimento do tíquete médio, com compras complementares e soluções de consumo compartilhado — diz Camila Assis, head de Marketing e Comunicação Externa da rede.
Com jogos durante a noite, empresas fazem lançamentos para a 'Copa do delivery'
Varejo e indústria se preparam para salto no consumo durante Mundial, com impacto em alimentação e entregas
Indústria de alimentos e bebidas projeta crescimento até 40% durante Copa 2026, com edições limitadas, embalagens comemorativas e reforço de delivery para captar consumo noturno em casa. Operação omnichannel em retail, e-commerce e delivery torna-se fator crítico; investimento em infraestrutura tecnológica para reposição ágil é essencial para evitar stock-out.















