Quem pretende acompanhar os jogos da Copa do Mundo de 2026 em bares e restaurantes deve sentir mais os efeitos da inflação do que os brasileiros que planejam investir em uma nova televisão ou assinar serviços para assistir às partidas em casa.

Dados da FGV Ibre, obtidos com exclusividade pela Folha, mostram que os itens ligados ao consumo fora do lar acumulam altas acima da inflação geral. Restaurantes têm variação de 7,28% nos 12 meses encerrados em abril, sanduíches avançaram 5,74% e refrigerantes e água mineral consumidos fora de casa subiram 5,08%. No mesmo período, o IPC-BR registrou inflação de 3,84%.

"Você simplesmente vai a um barzinho para assistir a um jogo e não pensa muito nisso, mas esses serviços subiram muito", afirma André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV Ibre.

Em sentido contrário, os gastos relacionados à transmissão dos jogos tiveram comportamento mais moderado. A mensalidade de internet, por exemplo, acumulou queda de 2,14% em 12 meses. O preço dos aparelhos de TV subiu 0,91%, e artigos esportivos registraram recuo de 0,27%.

"O que chamava atenção nas últimas Copas era o aparelho de TV. Hoje a tecnologia já chegou a um ponto em que não precisa ser tão trocado assim. "Quem se preparou para comprar uma TV não vai encontrar grande desafio, porque o preço não está diferente daquele encontrado há 12 meses", afirma Braz.