O solo europeu está a ser consumido mais depressa do que a natureza consegue regenerar. Os dados mais recentes da União Europeia, publicados pelo Eurostat esta semana, revelam que o ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e o ODS 15 (Proteger a Vida Terrestre) são os únicos objectivos em que a União Europeia está a retroceder de forma clara face às metas de desenvolvimento sustentável.O denominador comum que explica estes retrocessos é o actual modelo de uso, ocupação e gestão do solo, com pressões crescentes sobre os ecossistemas terrestres e hídricos em toda a Europa — e Portugal não é excepção.A impermeabilização dos solos e a expansão urbana constituem uma ameaça directa à biodiversidade e às metas climáticas. “A impermeabilização do solo é a forma mais intensa de ocupação de terras e é, na prática, um processo irreversível, [destruindo ou cobrindo] os solos com camadas de material artificial parcial ou totalmente impermeável, como asfalto e betão”, descreve o relatório.Entre 2018 e 2021, mostra o Eurostat, a ocupação líquida de terras nas cidades e zonas pendulares aumentou cerca de 32% face ao período anterior, sobretudo à custa de terras aráveis e pastagens, com a área de solo selado a atingir 252,1 metros quadrados por habitante na UE em 2021. “A crescente ocupação líquida de terras é uma preocupação para a segurança alimentar, biodiversidade e reservas de carbono, e significa que a UE está fora da trajectória para atingir o seu objectivo de ‘ocupação líquida nula de terras até 2050’”, lê-se no documento.
Uso do solo compromete objectivos de desenvolvimento sustentável na Europa
Relatórios do Eurostat revelam retrocesso claro da UE na protecção da água e da vida terrestre, enquanto Portugal enfrenta desafios estruturais no ordenamento do território que ameaçam a Agenda 2030.









