Bancos ampliam suas carteiras de finanças sustentáveis, impulsionados por transição energética, regulação climática e demanda por ativos ligados à sustentabilidade. O movimento ocorre em um momento em que desafios geopolíticos reforçam o posicionamento do Brasil como destino para investimentos na economia verde. Ainda assim, não há um padrão para definir o que pode ser considerado financiamento sustentável. As taxonomias abrangem de projetos de energia e agro renováveis, infraestrutura, bioeconomia, mobilidade elétrica e descarbonização a habitação, saneamento e microcrédito. O Itaú Unibanco tem a meta de mobilizar R$ 1 trilhão em finanças sustentáveis entre 2020 e 2030. Até fevereiro, havia alcançado R$ 577 bilhões entre operações no mercado de capitais, crédito para empresas e financiamento inclusivo para empreendedoras, principalmente em agronegócio, serviços de energia e energia renovável. A evolução da carteira foi acompanhada pelo aprimoramento dos critérios de classificação das operações e da mensuração de impacto. “Também houve evolução nos critérios de classificação das operações, com maior alinhamento a taxonomias de mercado e maior sofisticação na mensuração de impacto”, diz Luciana Nicola, diretora de relações institucionais e sustentabilidade do Itaú Unibanco. Para ela, as finanças sustentáveis devem seguir impulsionadas por demanda por transição climática, avanço regulatório e iniciativas como blended finance (finanças mistas) e Eco Invest, programa do governo federal que, em dois anos, mobilizou cerca de R$ 140 bilhões para a transição ecológica. A carteira de crédito sustentável do Banco do Brasil cresceu 7% no primeiro trimestre do ano, frente igual período de 2025, para R$ 421,2 bilhões, distribuída em cerca de 3 milhões de contratos. A carteira está estruturada em agricultura de baixo carbono, boas práticas socioambientais, negócios sociais e empresarial, que reúne atividades consideradas sustentáveis e operações do Eco Invest. O banco destaca que financiamentos ligados a energias renováveis e transição energética alcançaram R$ 23,4 bilhões no mesmo período, enquanto a bioeconomia somou R$ 3,1 bilhões, com impacto direto sobre mais de 150 mil pessoas. Segundo José Ricardo Sasseron, vice-presidente de negócios, governo e sustentabilidade empresarial do BB, a instituição pretende alcançar R$ 500 bilhões até 2030. “O BB enxerga as finanças sustentáveis como um vetor estrutural do mercado brasileiro, alinhado à crescente demanda por transparência climática, rastreabilidade e cadeias produtivas sustentáveis”, afirma. No Bradesco, os negócios sustentáveis chegaram a R$ 381,9 bilhões em 2025, superando a meta inicial de R$ 350 bilhões. O banco ampliou o compromisso para R$ 450 bilhões em 2026. Segundo Fabiana Costa, head de sustentabilidade, a estratégia combina crédito, mercado de capitais, produtos de varejo com benefícios socioambientais e gestão de ativos com integração ESG. Em 2025, o Bradesco realizou 41 operações rotuladas (green, social, sustainable, sustainability-linked e transition), além de 71 operações de project finance (modalidade em que o fluxo de caixa do empreendimento serve como principal garantia da operação) em energia renovável. Entre os financiados estão projetos que vão de biocombustíves a transporte limpo. “Infraestrutura deve ganhar ainda mais relevância, com avanço de estruturas de project finance e instrumentos de mercado de capitais, especialmente em energia, redes e saneamento, e com iniciativas como o Eco Invest contribuindo para ampliar a canalização de recursos”, afirma Costa. O Santander Brasil encerrou 2025 com R$ 50,7 bilhões em carteira sustentável, alta de 35%. Desde 2022, quando criou uma classificação própria, a carteira mais do que dobrou e cresce acima da média da instituição. Segundo Alex Zanardo Sciacio, responsável pela área de finanças sustentáveis, o banco utiliza critérios técnicos para centenas de atividades econômicas ligadas a energia renovável, mobilidade, saneamento e agricultura sustentável. A carteira de finanças sustentáveis da Caixa Econômica Federal atingiu R$ 886,1 bilhões no primeiro trimestre, com meta de alcançar R$ 1,25 trilhão até 2030. Os recursos concentram-se sobretudo em habitação, saneamento e infraestrutura, crédito comercial e agronegócio. De acordo com Carlos Vieira, presidente da Caixa, a alta da carteira reflete a sustentabilidade como eixo estratégico do banco. Sua estrutura avalia contribuições socioambientais, adesão aos ODS e a exclusão de setores com altos riscos climáticos.