O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está reposicionando sua estratégia de crédito para transformar sustentabilidade, transição climática e restauração florestal em eixos centrais de atuação. Em 2025, os financiamentos classificados como economia verde somaram R$ 45,7 bilhões, alta de 17% em relação a 2024. As operações verdes passaram de 18,4% para 19,25% da carteira total do banco. Um dos principais instrumentos de financiamento climático do banco, o Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, passou de R$ 883 milhões em aprovações, em 2023, para R$ 12,5 bilhões em 2025, respondendo por cerca de 27% das aprovações ligadas à economia verde. A expectativa é que o fundo alcance uma carteira de R$ 50 bilhões no acumulado entre 2023 e 2025 para apoiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. “O banco não trabalha mais a agenda ambiental como um apêndice”, diz Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES. Segundo ela, a sustentabilidade orienta transversalmente áreas de infraestrutura, indústria, agricultura e crédito, em uma estratégia voltada a posicionar a instituição como “um banco verde e inclusivo”. Até 2023, o BNDES utilizava os códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), do IBGE, para classificar operações sustentáveis. Em 2024, passou a adotar uma metodologia própria. A mudança ocorreu em um contexto de fortalecimento da regulação do setor, consolidado com a criação da Taxonomia Sustentável Brasileira pelo governo federal, em dezembro de 2025. Campello afirmou que um dos principais desafios da transição ecológica é o acesso a recursos de longo prazo e com custo adequado para financiar as novas cadeias verdes. “Quem está acelerando a transição está trabalhando com taxas negativas. Nós ainda estamos trabalhando com taxas de 6%, 8%, 9%, 10%.” Segundo Luciana Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDES, o banco atua para destravar investimentos na transição ecológica. Um dos destaques é o financiamento de R$ 503 milhões para a biorrefinaria da Acelen Renováveis, na Bahia. Com aporte total estimado em R$ 7 bilhões, a unidade produzirá 1 bilhão de litros anuais de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2029. A executiva ressalta também a BIP (Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos), que reúne 19 projetos com potencial de US$ 26,6 bilhões. Os maiores volumes concentram-se em energia e indústria, com foco em combustíveis sustentáveis, hidrogênio verde e descarbonização do aço e alumínio.
Crédito verde do BNDES chega a 19,25% da carteira total com foco em florestas e combustíveis sustentáveis
Aportes na chamada economia verde avançam 17% em um ano e consolidam reposicionamento da instituição para viabilizar transição ecológica e infraestrutura sustentável no país










