PUBLICIDADE Meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 reforça papel de bancos, mercado de capitais e fundos climáticos na transição energética 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em sentido horário, Rafael Vazquez (Valor), Luciana Costa (BNDES), Fabiana Costa (Bradesco) e Luiz Paulo Pereira Assis (Deloitte) em live do GLOBO e do Valor — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 16:44 Transição energética: capital privado é chave para meta de US$1,3 tri/ano até 2035 O financiamento da transição energética está cada vez mais dependente do capital privado, com uma meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035. Na COP30, destacou-se a importância de bancos e fundos climáticos, mas a escala necessária exigirá o envolvimento do mercado privado. Tecnologias como SAF e mercado de carbono demandam apoio para se tornarem viáveis. A sustentabilidade agora influencia decisões de investimento e requer métricas claras para evitar o greenwashing. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A mobilização de recursos para financiar a transição energética e a adaptação às mudanças climáticas esteve no centro da COP30 e continua entre os principais desafios da agenda climática global. O Mapa do Caminho de Baku a Belém estabeleceu a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para apoiar países em desenvolvimento. O tema foi discutido na live “O Financiamento da Economia Limpa”, promovida pelo projeto Transição Energética, iniciativa do GLOBO e do Valor Econômico. Para os participantes, o volume de recursos necessário para financiar a transição energética não virá apenas de bancos públicos ou organismos multilaterais. Esses agentes continuarão desempenhando papel importante na redução de riscos e no financiamento das primeiras etapas de novas tecnologias, mas a escala necessária dependerá da entrada crescente do mercado privado, avaliaram. — Para financiar tecnologias maduras e que já são economicamente viáveis, quem entra financiando geralmente é o mercado. O papel dos bancos de fomento é induzir tecnologias mais incipientes — afirmou Luciana Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDES. Segundo ela, foi esse o caminho percorrido por tecnologias como energia solar e eólica. O desafio agora é repetir o processo em áreas que ainda apresentam custos elevados ou modelos de negócio em consolidação, como combustível sustentável de aviação (SAF), restauração florestal, armazenamento de energia e mercado de carbono. O SAF foi apontado como um dos setores que ainda precisam de mecanismos de apoio para ganhar escala, pois seu custo continua superior ao do combustível convencional. Luciana também destacou o potencial brasileiro no mercado de carbono. — O custo de produção de crédito de carbono no Brasil é menor do que no resto do mundo — disse. Se os bancos públicos são vistos como instrumentos para reduzir riscos e apoiar tecnologias emergentes, a expectativa é que a maior parte dos recursos venha do sistema financeiro privado e do mercado de capitais. Para Fabiana Costa, chefe de sustentabilidade do Bradesco, a expansão do financiamento sustentável passa pela criação de métricas que permitam avaliar resultados e comparar projetos. Segundo ela, a entrada de mais investidores dependerá da capacidade de transformar compromissos ambientais em indicadores objetivos. — Precisamos deixar de ter uma agenda qualitativa para que ela seja quantitativa — afirmou. Sustentabilidade deixou de ser um tema restrito a áreas específicas e passou a influenciar decisões de investimento, inovação e desenvolvimento de novos produtos. — Hoje não existe mais isso de sustentabilidade como uma área específica dentro da empresa — afirmou Luiz Paulo Pereira Assis, sócio-líder de estratégia de sustentabilidade da Deloitte, que também participou da live. Em setores como siderurgia, cimento e transporte, a adoção de novas tecnologias continua fortemente ligada ao custo do financiamento. — A redução do custo de capital pode acelerar muito a adoção dessas tecnologias — disse. O avanço das finanças sustentáveis trouxe uma preocupação recorrente para bancos, investidores e reguladores: como separar projetos efetivamente sustentáveis de iniciativas que apenas utilizam o discurso ambiental, o chamado greenwashing. A chefe de sustentabilidade do Bradesco afirmou que operações rotuladas como verdes precisam ser acompanhadas por critérios claros e validação independente: — Não dá para ser meio sustentável, meio negócio sustentável. Ela defendeu ainda o fortalecimento da taxonomia sustentável brasileira e do mercado regulado de carbono para reduzir dúvidas sobre a classificação dos projetos. — Não estamos falando de uma agenda de conservacionismo, mas de uma agenda econômica — afirmou. O projeto Transição energética é uma iniciativa do GLOBO e do Valor Econômico, com patrocínio da Vale. Especial para O GLOBO