Economia Verde: oportunidades e desafios do Brasil em mundo que busca reduzir emissõesA descarbonização da economia global abre um leque de oportunidades para o Brasil, mas o País tem desafios a superar. Crédito: EstadãoGerando resumoOs investimentos em energia limpa alcançaram patamar recorde em 2025, mas o impulso global nessa direção perdeu fôlego: pela primeira vez em mais de uma década houve recuo nas políticas públicas voltadas para a transição energética. As conclusões fazem parte de um levantamento do Fórum Econômico Mundial, que divulgou nesta quinta-feira, 18, o Índice de Transição Energética. PUBLICIDADEDe acordo com o relatório, desenvolvido em colaboração com a Accenture, o investimento global em transição energética atingiu volume recorde de US$ 3,3 trilhões, incluindo US$ 2,3 trilhões em energia limpa.O Brasil figura entre os 20 países líderes em energia renovável, na 17ª posição no Índice de Transição Energética (ETI, na sigla em inglês), à frente dos Estados Unidos, que ocupam o 19º lugar. O ETI avalia o desempenho dos sistemas energéticos nacionais em três dimensões principais — segurança, sustentabilidade e equidade — e a prontidão do ambiente habilitador para apoiar a transição. As pontuações gerais do ETI permaneceram amplamente inalteradas de um ano para outro, refletindo a desaceleração no impulso global.Painéis solares nas proximidades de Lancaster, na Califórnia Foto: Mario Tama/AFPNa América Latina, o País lidera o índice. Segundo o levantamento, o Brasil combina um forte fornecimento de energia doméstica com um sistema elétrico altamente renovável, ao mesmo tempo em que continua a expandir a energia solar e eólica, os biocombustíveis e os combustíveis sustentáveis para a aviação.PublicidadeLeia tambémPetrobras vende 1º lote de combustível de aviação feito com óleo de soja certificadoO que será da Amazônia sem o monopólio do açaí?Brasil está em posição de liderar produção de combustível sustentável de aviação, diz AlckminAlém disso, a rede elétrica brasileira também continuou a se fortalecer, com as perdas de transmissão e distribuição caindo significativamente, à medida que anos de investimento começam a dar frutos. “Isso contribuiu para melhorar a eficiência em todo o maior sistema elétrico interligado da América Latina”, diz o estudo.Segundo o relatório, entre as principais economias, a China, que ocupa a 14.ª colocação, continuou a escalar o investimento em energia limpa em níveis recordes, enquanto os Estados Unidos mantiveram um forte desempenho em segurança energética, apesar de uma leve queda geral.Segundo o levantamento, a divergência regional está sendo moldada por pressões estruturais. A demanda global por eletricidade cresceu 3%, impulsionada pela eletrificação, refrigeração, infraestrutura digital e IA, e está emergindo como uma restrição definidora na transição.As economias emergentes representam cerca de 80% do crescimento da demanda, mas continuam enfrentando custos de financiamento mais altos e lacunas de infraestrutura. Enquanto isso, apesar do investimento recorde geral, o capital em energia limpa permanece altamente concentrado, com cerca de 75% fluindo para um pequeno número de economias, ampliando a lacuna entre onde o capital é implantado e onde a demanda está aumentando.PublicidadeO relatório identifica três prioridades para sustentar o progresso: incorporar segurança e resiliência no design do sistema energético desde o início, em vez de como resposta a crises; desbloquear a entrega, acelerando a expansão da rede e a capacidade de integração do sistema; e restaurar a capacidade de investimento por meio de estruturas políticas estáveis e fluxos de capital direcionados, particularmente para as economias emergentes que impulsionarão a maior parte do crescimento da demanda futura.“Os países que agirem em todas as três frentes estarão mais bem posicionados para transformar as pressões de hoje em uma vantagem competitiva duradoura em um cenário global em mudança.”A interrupção no Estreito de Ormuz intensificou as pressões existentes identificadas no índice, reforçando o grau em que os sistemas de energia permanecem expostos a choques geopolíticos, com economias emergentes dependentes de importação particularmente afetadas. Riscos de fornecimento e restrições estruturais estão colocando os países sob pressão crescente e desigual, com implicações para a acessibilidade, resiliência e sustentabilidade a longo prazo. “A transição energética não está retrocedendo, mas está se fragmentando”, disse, em nota, o chefe do Centro de Energia e Materiais do Fórum Econômico Mundial, Roberto Bocca.