O diretor de planejamento e relações institucionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nelson Barbosa, disse que o Fundo Clima tem um orçamento de R$ 27 bilhões para serem usados, este ano, para financiar sistemas de armazenamento de energia por baterias que vencerem os leilões que serão realizados nos dias 2 e 4 de dezembro e que atendam às exigências de conteúdo local. O Fundo Clima é uma linha de financiamento destinada a projetos sustentáveis e o montante destina-se a todos os projetos verdes que busquem o banco. A linha tem recursos suficientes para financiar os sistemas de baterias que serão licitados em certame inédito. Segundo ele, que falou com jornalistas após evento sobre o leilão de baterias, o montante de recursos pode chegar a R$ 34 bilhões se o governo quiser elevar esse volume e o Congresso aprovar. “Temos ‘funding’ suficiente para financiar projetos do leilão [de baterias]”, disse Barbosa. O executivo ressaltou que há possibilidade de haver mais recursos para o Fundo Clima no ano que vem. Barbosa destacou que o Fundo Clima e outra linha do BNDES, Mais Inovação, são mais baratas em relação às taxas de mercado. O Mais Inovação tem como destino projetos cuja tecnologia precisa ser desenvolvida no país. De acordo com Barbosa, as taxas de mercado, não subsidiadas, serão destinadas pelo banco a empresas que vencerem o leilão, mas sem atender às metas de conteúdo local. O leilão de baterias vai ser dividido em dois dias. No primeiro, serão negociados projetos cujos fornecedores terão fabricação de componentes nacionais. No segundo dia, é a vez dos projetos que não terão conteúdo local mínimo. A perspectiva é de que o edital preveja um percentual de 15% de conteúdo local para os projetos de armazenamento. Barbosa e o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior, José Luis Gordon, destacaram que as taxas serão diferenciadas para estimular a formação de uma cadeia produtiva nacional de baterias. Eles citam o Chile como exemplo, que contratou recentemente uma capacidade de armazenamento de 8 gigawatts (GW) para os próximos anos. Taxas O Fundo Clima tem uma taxa de juros de 6,5% ao ano, mais spread, disse Barbosa. O Mais Inovação, acrescentou Gordon, tem juros equivalentes à Taxa Referencial mais spread, o que dá algo entre 4% e 5% ao ano. As taxas de mercado, que correspondem à Taxa Selic mais spread, somariam um custo de financiamento de 20% ao ano. Para Barbosa, ao igualar as condições nacionais de financiamento com as de mercados externos de crédito, os problemas estão “da fábrica para fora”. A questão importante, para ele, é a formação de escala na produção nacional de sistemas de armazenamento. “Podemos produzir essas baterias com eficiência, com escala, com custo competitivo”, disse Barbosa. “Empresas têm nos procurado para desenvolvimento [de projetos]. Estamos trabalhando fortemente, escutando empresas que têm interesse em vir para cá e fazer parcerias”, acrescentou Gordon. O leilão de baterias é visto como uma das soluções para os cortes de geração de energia renovável, causados pelo excesso de eletricidade produzida em momentos de menor demanda ao longo do dia. Isso ocorre todos os dias, especialmente com a geração solar e com mais intensidade nos fins de semana. — Foto: Orlandow/Pixabay