Na semana em que comissário de Parcerias Internacionais da União Europeia (UE), Jozef Síkela, virá ao Brasil, presidente do banco de fomento lembrou que chamada pública selecionou 56 projetos, com investimento total de quase R$ 50 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lítio refinado empilhado na refinaria da Sigma Lithium, em Minas Gerais — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 17:26 BNDES busca recursos externos para financiar minerais críticos no Brasil O BNDES poderá buscar recursos no exterior para aumentar o financiamento a projetos de minerais críticos, afirmou Aloizio Mercadante. A chamada pública pré-selecionou 56 projetos, totalizando R$ 45,8 bilhões em investimentos. A UE demonstra interesse em quatro projetos no Brasil, visando diminuir a dependência da China em minerais como terras-raras, essenciais para a tecnologia de ponta. Parcerias internacionais são vistas como um meio de expandir a capacidade de financiamento do BNDES. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O BNDES poderá captar recursos em bancos de desenvolvimento do exterior para turbinar os valores a serem aplicados, em crédito e participação acionária, na Chamada Pública de Planos de Negócios para Investimentos em Transformação de Minerais Estratégicos, que tem uma pré-seleção de 56 projetos com potencial de R$ 45,8 bilhões em investimentos, disse nesta terça-feira o presidente da instituição de fomento, Aloizio Mercadante. Nesta semana, o comissário de Parcerias Internacionais da União Europeia (UE), Jozef Síkela, virá ao Brasil, de olho em quatro projetos prioritários de produção de minerais críticos, como mostrou O GLOBO, marcando a entrada da Europa na corrida dos países desenvolvidos para reduzir a dependência da China no fornecimento, principalmente, de terras-raras. A indústria chinesa domina a extração e o beneficiamento desses minerais, usados em ímãs especiais e outros materiais essenciais para a fabricação de bens de alta tecnologia, como motores elétricos, turbinas e celulares. — Foto: Editoria de Arte Além das terras-raras, são considerados “minerais críticos” o níquel, o cobre e o lítio, essenciais para a fabricação de baterias e componentes necessários para aumentar a eletrificação, no caminho para uma economia de baixo carbono. — Foto: Editoria de Arte Além de terras-raras, os quatro projetos prioritários na mira da UE incluem a produção de níquel, cobalto, espodumênio e tântalo. As parcerias do BNDES Após participar da abertura de um evento na sede do BNDES, no Rio, ao ser questionado sobre o interesse europeu nos projetos de minerais críticos e sobre a possibilidade de manter encontros com Síkela, Mercadante lembrou que o banco de fomento financia empresas brasileiras que produzem no Brasil, independentemente da nacionalidade do controlador. E ressaltou que parcerias com organismos multilaterais e de desenvolvimento de outros países são um caminho para aumentar a capacidade de financiar. O BNDES já mantém parceria para a captação de recursos junto ao KfW, da Alemanha, e à AFD, da França, disse Mercadante. — Nós financiamos as empresas que investem e inovam no Brasil. Esse é o critério — afirmou o presidente do banco, ao deixar a sessão de abertura da edição 2026 do BNDES Garagem, evento voltado para startups. — Podemos fazer parceria para fortalecer iniciativas, mas isso é um tema que o governo está desenhando uma estratégia. R$ 5 bi ficou pouco Na época, o BNDES anunciou que a chamada tinha uma previsão de alocação de R$ 5 bilhões, tanto para crédito quanto para investimentos em participação acionária nas empresas. Como o valor somado do investimento previsto nos projetos pré-selecionados foi mais de nove vezes maior do que a alocação prevista, desde o anúncio do resultado preliminar, a diretoria do BNDES vem sinalizando que poderia ampliar o orçamento da chamada. Mercadante disse, nesta terça-feira, que o aumento recente do interesse dos países desenvolvidos pela produção de minerais críticos poderia levar a parcerias para ampliar esse orçamento, mas evitou, novamente, a estimar quanto o BNDES poderia investir nesses 56 projetos. — Podemos buscar parcerias para alavancar esses investimentos. Eles querem entrar em parceria, sentem muito mais segurança com o BNDES avalizando, analisando e conhecendo os projetos — afirmou Mercadante, ressaltando que o interesse não se restringe a parceiros europeus, mas inclui estrangeiros de forma geral.