Remco Fischer, representante da ONU, diz que "ajustes incrementais" não serão suficientes para chegar na meta definida para ser alcançada em 10 anos. CEO da COP 30, Ana Toni, diz que objetivo demanda pelo menos metade dos recursos vindo do setor privado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A diretora-executiva da COP30, Ana Toni — Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 07:55 Financiamento Climático: Setor Privado Essencial para Meta de US$ 1,3 Tri Remco Fischer, da ONU, destaca que o aumento necessário do financiamento climático de US$ 200 bilhões para US$ 1,3 trilhão até 2035 depende fortemente do setor privado. Ana Toni, CEO da COP 30, reforça que metade dos recursos deve vir do setor privado. O evento em Londres, promovido pela UNEP-FI, reuniu líderes financeiros para discutir estratégias de financiamento e a importância de inovações no setor. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O envolvimento do setor privado é crucial para acelerar o ritmo de recursos direcionados para os países em desenvolvimento combaterem as mudanças climáticas, afirma o chefe da área de Clima da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambientes (UNEP-FI), Remco Fischer. Segundo ele, os dados mais recentes (finalizados nesse mês, mas relativos a 2023) mostram que os países em desenvolvimento receberam US$ 200 bilhões em recursos comprometidos para a questão climática, volume relevante, mas ainda distante dos US$ 1,3 trilhão anuais que a COP 30, que está sendo presidida pelo Brasil, definiu como meta para chegar em 2035. — São US$ 200 bilhões hoje e US$ 1,3 trilhão daqui a uma década. Se minha matemática estiver correta, isso representa um crescimento de cerca de 6,5 vezes. E o que fica evidente é que ajustes incrementais não serão suficientes(...)Precisamos de abordagens transformadoras, de mudanças estruturais e de uma nova forma de pensar, especialmente em um contexto em que sabemos que os recursos públicos internacionais tendem a se tornar ainda mais escassos do que foram no passado. E isso torna o papel do setor privado ainda mais importante – disse Fischer. — Se queremos atingir a meta, precisamos mobilizar o setor privado. Ao mesmo tempo, o financiamento público continua sendo indispensável - completou. Ele participou da abertura de evento sobre o papel das finanças no enfrentamento da crise climática, promovido pela UNEP-FI em parceria com a Confederação Nacional das Seguradores (CNSeg), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitas (Anbima) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), realizado no âmbito da London Climate Action Week. A presidente-executiva da COP 30, Ana Toni, reforçou a mensagem e salientou que é preciso “acelerar muito” o processo para chegar na meta. — (Para chegar na meta) não basta ter um crescimento orgânico, precisa ter um crescimento exponencial para esse investimento. O que a gente sentiu aqui em Londres, esse calor, mostra que não temos escolha. Tem muita inovação no setor financeiro, a área de seguros está pensando milhões de novos instrumentos. Agora a gente tem que trabalhar firme — disse Toni. Ela destacou que, do nível atual de US$ 200 bilhões de financiamento climático, cerca de 80% vem do setor público e não do setor privado. — Esse é o verdadeiro desafio, a tarefa que temos diante de nós — disse Toni, apontando que para chegar na meta de US$ 1,3 trilhão por ano em 2035, o setor privado precisará entrar com cerca de metade dos recursos. Para o presidente da CNSeg, Dyogo de Oliveira, é preciso esforço para criar uma capacidade de financiamento contínua e em larga escala e, no ritmo atual, não vai se chegar onde precisa. — Para transformar ideias em algo financiável precisa identificar e endereçar adequadamente todos os riscos envolvidos ao longo da vida do projeto — salientou Oliveira, apontando que o setor de seguro, além de atuar na mitigação de riscos também tem potencial de ser um grande investidor, dados recursos que o setor tem em disponibilidade. O presidente da Febraban, Isaac Sidney, destacou que governos, instituições financeiras, seguradoras, investidores, organismos multilaterais e o setor produtivo de forma geral precisam trabalhar de forma coordenada na questão climática. — Os maiores avanços acontecem quando combinamos boas políticas públicas, instrumentos financeiros privados e mecanismos que reduzam riscos e aumentem a confiança dos investidores — disse Sidney. O vice-presidente da Anbima na área de sustentabilidade, Carlos Takahashi, destacou que é necessário avançar da ambição para a efetiva execução e, para isso, é preciso ter mercados conectados e transparentes, além de coordenação entre diversos setores. * O jornalista viajou a Londres a convite da CNSeg