Pulsa Explica: Como funcionam as canetas para obesidade? Tudo o que você precisa saber antes do usoMedicamentos análogos ao hormônio GLP-1 aumentam a saciedade e podem levar à perda de peso, mas não devem ser usados indiscriminadamente. Crédito: edição: Joaquim MacruzGerando resumoO mercado de canetas emagrecedoras deve explodir no Brasil nos próximos quatro anos e superar de longe a taxa de crescimento da venda do medicamento no mundo. A alta incidência de obesidade na população, somada ao forte culto do brasileiro ao corpo, além da queda de preços do remédio por conta da quebra das patentes, vão turbinar as vendas.PUBLICIDADENum primeiro momento, o movimento de reinventar os negócios no País para atender às novas demandas do consumidor atinge o comércio. Já na indústria de bens de consumo, essa transformação é mais lenta.Enquanto isso, a popularização do uso das canetas emagrecedoras abre uma avenida de oportunidades de negócios aos fabricantes de suplementos e prestadores de serviços ligados à estética e aos esportes.Canetas emagrecedoras provocam mudanças na composição dos produtos fabricados pela indústria e na estratégia de vendas usada pelo comércio Foto: Nati/Adobe StockEssas são as principais conclusões de uma leitura estratégica feita pela consultoria PwC para o mercado de varejo e bens de consumo sobre a transformação que as canetas emagrecedoras devem causar nos negócios.PublicidadeNas projeções da consultoria, entre 2025 e 2030, a venda do produto deve saltar de US$ 2 bilhões para US$ 9 bilhões no País, com crescimento anual de 35%.No mundo, o mercado de canetas emagrecedoras quase quadruplicou em dois anos. Era de US$ 13 bilhões em 2022 e subiu para US$ 48 bilhões em 2024. As projeções indicam que o mercado global deverá movimentar US$ 183 bilhões em 2030, com crescimento anual de 25% a partir de 2025.Gerson Charchat, sócio e líder do setor de Consumo da Strategy&Brasil da PwC, observa que esse crescimento deve ser puxado pelas camadas de menor renda, as classes C, D e E, por causa da redução significativa de preços em razão da quebra de patentes e pela mudança na maneira de ministrar o produto, de injetável para via oral. “Cerca de 68% da população com sobrepeso ou obesidade no Brasil está concentrada principalmente nas classes C, D e E.”Outro fator que deve impulsionar a taxa de crescimento da venda do produto no País num ritmo anual de dez pontos porcentuais acima da média do mercado global até 2030 é o fato de a base de comparação, isto é, o tamanho do mercado, ainda ser baixa no Brasil comparativamente a de outros países.PublicidadeAlém disso, o Brasil é hoje o segundo país cujo consumo é mais influenciado pelas redes sociais, argumenta Charchat. “E esse é um produto que claramente saiu da lógica da medicina e foi para a lógica cultural, social.”Novo consumidorO uso das canetas já transformou o mercado de consumo em outros países nos quais o uso do medicamento está mais disseminado. E no Brasil não deverá ser diferente.Nos Estados Unidos, por exemplo, estudo publicado no Journal of Marketing Research, baseado em um painel de 150 mil domicílios, mostra que houve queda de 5,3% nos gastos com supermercado em seis meses de tratamento. A retração chegou a 8,2% entre consumidores de renda mais alta. O consumo de petiscos salgados recuou 10,1% e de fast-food, 8% no período.Leia tambémCanetas emagrecedoras mudam consumo, reduzem gastos e pressionam indústria e supermercadosPreocupação da população com longevidade e saúde faz Nestlé voltar às origensDe acordo com o estudo da PwC, pesquisa semelhante com mais de 30 mil consumidores americanos ao longo de 12 meses identificou uma redução de 10% nos gastos em mais de 100 categorias, com 37% dos usuários do medicamento relatando que beberam menos álcool desde o início do tratamento. PublicidadePUBLICIDADEDados do mercado americano mostram que 56% dos usuários das canetas reduziram o consumo de açúcar, alimentos ultraprocessados e álcool e aumentaram o consumo de proteínas.Além disso, 47% diminuíram o tamanho das porções consumidas de alimentos e 29% redirecionaram os gastos com alimentação, que foram reduzidos, para despesas com serviços de beleza e bem-estar, por exemplo.Segundo Luciana Medeiros, sócia-líder de varejo da PWC, as mudanças no consumo provocadas pelas canetas emagrecedoras não são uma tendência passageira de saúde ou bem-estar. “Começamos a lidar com um novo consumidor — mais planejado e com conhecimento sobre alimentação. Para as empresas, isso exige uma revisão profunda de estratégia, portfólio (de produtos) e operação.”Empresas do varejo de alimentos, como supermercados, hipermercados e atacarejo, por exemplo, estão mais adiantadas na transformação de seus negócios para atender às novas demandas, observa Luciana.Publicidade“O varejo alimentar já está bem consciente do que está acontecendo hoje aqui no Brasil, do impacto na disputa pelo bolso do consumidor e, obviamente, tendo uma diminuição da parte alimentar”, argumenta.Além da mudança do mix de produtos disponíveis nas prateleiras dos supermercados, o estudo da PwC aponta outras saídas a serem adotadas pelo comércio de alimentos para atenuar os impactos das canetas nas vendas.Entre as estratégias recomendadas pela consultoria estão porções menores dos produtos, mais variedade de itens e menos volume.Diante da queda nos volumes de compras, políticas promocionais baseadas nas quantidades compradas, por exemplo, muito comuns no varejo, perdem força e ganham relevância planos de compra por assinatura. Isso para tornar fiel à loja o cliente que compra um volume menor de produtos.PublicidadeAs canetas também alteram o apelo de venda da publicidade. Propagandas de promoções que destacam o excesso de indulgência dos produtos, por exemplo, perdem a eficácia para conquistar esse novo consumidor que busca alimentos mais saudáveis, aponta o estudo. Reações diferentesEnquanto os planos de adaptação às novas demandas do consumidor usuário de canetas emagrecedoras avançam a toque de caixa nos supermercados, hipermercados e atacarejos, na indústria de bens de consumo alimentar de massa, sobretudo nas grandes companhias multinacionais, as mudanças são mais lentas.Essa assimetria entre os setores, isto é, entre multinacionais da indústria e empresas de varejo que operam no mercado local, existe porque grandes fabricantes que atuam em vários países ainda avaliam que esse movimento está presente nos EUA, mas ainda é incipiente no Brasil.“Talvez não tenham a sensibilidade de que esse movimento já chegou ao Brasil, que já é uma realidade brasileira, não só para a classe A, mas também para as outras classes sociais”, afirma Luciana. PublicidadeOutro fator que pode estar atrasando a reação das indústrias de alimentos e bebidas em relação às varejistas para se adaptar às mudanças exigidas pelo novo consumidor, que busca embalagens menores e produtos mais saudáveis, por exemplo, diz respeito aos investimentos, segundo Charchat.“Existe hoje no Brasil uma certa restrição a grandes investimentos”, afirma o consultor. Ele aponta como obstáculos aos investimentos enfrentados, sobretudo pelas grandes multinacionais, os juros elevados, o alto endividamento das famílias, além de questões macroeconômicas, geopolíticas e também as eleições. Vestuário e serviçosAlém do varejo de alimentos, um setor que também está se adaptando a esse novo cenário do consumo de forma relativamente ágil é o comércio de vestuário. “Já existe uma preocupação importante no setor de moda e empresas que atuam nesse tipo de varejo, principalmente grandes redes de departamento e empresas digitais que importam itens da China, em cada vez mais ter uma grade de tamanhos menores de itens de vestuário no Brasil”, afirma o consultor.A corrida das varejistas de moda é ter estoques mais adequados e escapar do risco de encalhe de tamanhos grandes. Nos EUA, por exemplo, aumentaram as vendas de peças de tamanhos menores e as maiores perderam participação, aponta o estudo da consultoria.PublicidadeEnquanto alimentos, bebidas e o setor de moda fazem mudanças nas linhas de produção — tentando adaptar a fórmula dos produtos e o tamanho da embalagens e das roupas, por exemplo —, prestadores de serviços (ligados ao esporte, como academias, e a procedimentos estéticos, e também fabricantes de suplementos e produtos de beleza) têm um mercado em franca ascensão. De acordo com o estudo, usuários de canetas gastam cifras maiores com produtos de beleza e frequentam mais spas.
Mercado de canetas emagrecedoras deve girar US$ 9 bilhões no Brasil até 2030, prevê PwC
Alta incidência de obesidade, queda de preço do medicamento por causa dos genéricos e culto ao corpo explicam por que taxa de crescimento no País deve superar média mundial











