Todo setor de alimentos perde com as canetas emagrecedoras — ou quase todos. Em 2025, os agonistas de GLP‑1 – classe de Ozempic, Wegovy e Mounjaro – já movimentaram cerca de 10 bilhões de reais no Brasil, segundo estimativas de consultorias especializadas, o que representa cerca de 4% de todo o varejo farmacêutico. Com a queda da patente e a redução de preços, existe a expectativa de que o número dobre em um ano. O impacto no segmento é enorme — e fora dele também.

As variações de mercado aparecem nas mudanças de consumo. Supermercados e o setor de alimentação apontam retração em categorias clássicas de impulso como refrigerantes, cervejas, snacks, chocolates, biscoitos e outras. Usuários tendem a reduzir episódios de beliscar e a cortar excessos em restaurantes, especialmente porções muito calóricas, sobremesas e rodadas de bebida alcoólica. Nos Estados Unidos, redes já admitem que a clientela em tratamento consome menos, mas busca opções com mais proteína e fibra, e esse movimento começa a ecoar por aqui, com casas adaptando menus e destacando pratos considerados “GLP‑1 friendly”.

Enquanto o ticket médio de muitas empresas de alimentos encolhe, há um setor com gráficos apontando para cima: o de suplementos alimentares. Dados da associação BRASNUTRI, compilados pela Euromonitor, indicam que o mercado brasileiro de suplementos cresceu 15% em 2025, movimentando cerca de 7,6 bilhões de reais. A projeção é chegar a 13,8 bilhões de reais em 2030, o que colocaria o País entre os cinco maiores mercados globais. Dentro desse universo, categorias como creatina e barras proteicas vêm registrando avanços acima da média, com indicativos de que os chamados suplementos de performance cresceram ao redor de 68% em quatro anos.