0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher aplica dose de GLP-1 na barriga — Foto: Freepik Mais da metade das doses de GLP-1 — as canetinhas emagrecedoras — consumidas no Brasil pode estar circulando no mercado informal (ou seja, fora das farmácias), segundo um levantamento inédito da Scanntech, plataforma que monitora online 60 mil pontos de vendas no país. A estimativa foi feita com base na evolução das vendas de seringas de insulina nas farmácias, usadas como indicador indireto do uso de medicamentos adquiridos fora dos canais oficiais. Considerando o mercado formal e a estimativa do informal, o consumo de GLP-1 cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Os efeitos da expansão já começam a aparecer no varejo. Segundo a pesquisa, o uso dos medicamentos provoca uma redução estimada de 0,49% ao ano no volume de alimentos vendidos em supermercados, com impacto mais forte em bebidas (-0,91%). Entre as categorias mais afetadas estão cerveja (-1,03%), petiscos (-0,82%), chocolates (-0,72%), biscoitos (-0,63%) e refrigerantes (-0,55%). Nem tudo, porém, representa retração. O estudo identificou crescimento expressivo nas compras de alimentos frescos (+11,5%), produtos ligados a academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos (+9,1%), água com e sem gás (+7,9%) e vitaminas e suplementos (+7,4%). Entre os usuários, 29% afirmam ter perdido massa magra durante o tratamento, o que ajuda a explicar o aumento da procura por proteínas. A pesquisa, feita com mais de dois mil brasileiros, mostra ainda que 6% dos adultos já utilizam medicamentos da classe GLP-1. A maior concentração de usuários está entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil. Outro dado chama atenção: 87,4% dos usuários pagam o tratamento do próprio bolso e 72% desembolsam até R$ 600 por mês — valor inferior ao preço oficial das principais marcas, o que reforça a hipótese de que uma parcela significativa do consumo esteja ocorrendo por vias informais.