Os números do PIB explicitam o peso do ciclo eleitoral e deixam o BC com a missão de neutralizar o efeito inflacionário dos gastos em excesso RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 18:39 Confiança Empresarial Brasileira Abalada Apesar de Crescimento Econômico A confiança dos empresários brasileiros permanece baixa, apesar do crescimento econômico no primeiro trimestre de 2023. O PIB agropecuário cresceu 0,7%, mas a queda nos preços reduziu o valor monetário do setor em 6,2%. O fenômeno El Niño e o aumento dos custos agrícolas devido à guerra no Irã ameaçam a rentabilidade. Investimentos em infraestrutura avançam, mas a indústria de transformação e serviços enfrentam desafios. A alta dos juros e a política fiscal expansionista complicam o cenário econômico, gerando incertezas para o setor produtivo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A economia ganhou fôlego no primeiro trimestre. No entanto, a confiança dos empresários mantém-se baixa, podendo impactar o investimento. O ceticismo se justifica? As notícias de uma boa safra foram confirmadas com o crescimento de 0,7% do PIB da agropecuária em relação ao mesmo período de 2025, um ano de safra recorde. O bom desempenho se traduziu em aumento de 2,5% no emprego do setor, na mesma comparação. Há também efeitos positivos indiretos, como no transporte rodoviário, que cresceu 3,2% no período, item de destaque no desempenho do setor de serviços. O movimento também foi acompanhado pela geração de vagas de trabalho nesse segmento. Apesar do aumento da produção agropecuária, seu valor monetário registrou recuo de 6,2% na comparação anual por conta da queda de preços, quadro observado nos preços no atacado até recentemente. Isso significa margens mais apertadas no campo, o que deixa o setor em posição pouco favorável para lidar com os choques que ameaçam sua performance e rentabilidade este ano: El Niño e forte alta de custos de insumos agrícolas por conta da guerra no Irã. O El Niño está em formação e está praticamente certa a consolidação do fenômeno no segundo semestre, enquanto pairam dúvidas de sua intensidade, com temores de um super El Niño. Os EUA levantaram o status de alerta, assim como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por conta do risco de chuvas intensas. No Centro-Oeste e Nordeste, por sua vez, o risco é de estiagem no período de plantio. Já os elevados preços de fertilizantes irão impactar o custo do plantio de grãos, que ocorre no último trimestre do ano, possivelmente mesmo em um cenário otimista de fim da guerra em breve. Vale lembrar que culturas curtas já vêm sendo impactadas pelo encarecimento de insumos agrícolas, como pode ser observada na maior inflação de alimentos no domicílio. O investimento do setor, portanto, poderá ser prejudicado. A decisão de investimento é bastante sensível às expectativas do setor privado e às condições econômicas, como a taxa de juros. Os dados mostram alguma resiliência, o que não chega a surpreender. Quedas acentuadas em investimento só foram vistas na crise do mensalão e na pandemia, sendo a política monetária restritiva elemento a suavizar o investimento, e não a derrubá-lo. De qualquer forma, são patamares muito baixos na comparação com países parecidos. No atual contexto, o investimento está sendo potencializado pelas concessões de infraestrutura ao setor privado, com contratos a serem honrados. As concessões avançam no atual governo, e com bases mais robustas do que no passado, uma surpresa positiva diante do tradicional viés estatizante do PT. O investimento (formação bruta de capital fixo) cresceu 3,5% no primeiro trimestre e 2% em 12 meses. Enquanto isso, a geração de empregos no setor cresceu 7,2% na comparação anual. Em que pesem as boas notícias para o potencial de crescimento de longo prazo do país, sendo importante atenuante para a análise de riscos de inflação pelo BC, os juros elevados afetam a saúde financeira das empresas que entraram nas concessões e precisam honrar as obrigações contratuais de investimento. Já as perspectivas de investimento da indústria de transformação, estagnada, e dos serviços não entusiasmam. Vários fatores pressionam o custo das empresas e trazem dúvidas sobre a rentabilidade dos setores. É o caso da implementação no novo sistema de tributação do consumo, o fim da escala 6x1 e as novas exigências da NR-1, que estabelece diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho (desde o final de maio, as empresas são obrigadas a identificar, avaliar e prevenir riscos à saúde mental, como assédio moral e sobrecarga de trabalho). Muito ajudaria o zelo com as contas públicas. Os números do PIB explicitam o peso do ciclo eleitoral e deixam o BC com a missão de neutralizar o efeito inflacionário dos gastos em excesso, dentro e fora do Orçamento. O impacto no PIB aparece diretamente nos gastos do governo e indiretamente no consumo das famílias, principalmente, por conta das transferências de renda. Com tantos riscos e incertezas que assustam os empresários, o menor espaço para corte dos juros por conta da política fiscal expansionista eleva a fatura, ainda mais em um quadro de estresse financeiro em muitas empresas, conforme revelam dados de recuperação judicial e de inadimplência. O mal-estar de boa parcela do setor produtivo não vem do nada.