Após um resultado no primeiro trimestre ligeiramente acima do esperado, muitos economistas esperam uma desaceleração gradual da economia ao longo do ano de 2026, devido à política monetária restritiva e a possíveis choques externos, como a alta no preço do petróleo.

O cenário gera cautela para o Banco Central, que deve manter taxas de juros elevadas para controlar riscos inflacionários e o impacto dos gastos públicos no ano eleitoral.

Segundo o economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes, o PIB (Produto Interno Bruto) deve desacelerar a 0,6% no segundo trimestre. A perda de ritmo é aguardada com o fim do impulso da safra agrícola e a persistência dos juros em patamar elevado ao longo de 2026.

O endividamento das famílias e as incertezas eleitorais também são apontadas por Nunes como desafios para consumo e investimentos no restante do ano. "Vamos ter uma dinâmica muito parecida com a do ano passado. Vai ter um primeiro trimestre com crescimento mais forte", diz.

A projeção do Sicredi para o PIB acumulado de 2026 está em 1,9%, com viés de alta para a casa de 2% após a divulgação dos dados desta sexta. "Não é recessão. Não é um dado ruim", afirma Nunes.