Índice de desemprego em menores patamares históricos, renda em alta, isenção do IR fazenda da demanda das famílias uma das forças para o crescimento da economia — Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 12:29 Economia Brasileira Cresce 1,8%, Mas Investimentos Caem 1,4% e Preocupam Economistas destacam a resiliência da economia brasileira com um crescimento de 1,8% do PIB no primeiro trimestre, superando muitas economias globais. No entanto, alertam para a insustentabilidade desse crescimento devido à queda de 1,4% nos investimentos, causada por incertezas e juros altos. A demanda das famílias e gastos governamentais impulsionam o crescimento, mas a desaceleração é esperada, com dúvidas sobre a continuidade da queda da Selic. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os economistas enxergam no crescimento de 1,8% do PIB no primeiro trimestre, frente ao mesmo período do ano anterior, uma boa notícia, especialmente quando se observa o desempenho das economias mundo afora. No entanto, há também um sinal negativo: o recuo do investimento pelo segundo trimestre seguido. Na comparação interanual, a queda foi de 1,4%. Resultado do aumento das incertezas, agravadas pela guerra, e do elevado patamar de juros, o encolhimento dos investimentos coloca em risco a perspectiva de um crescimento sustentado à frente. — O ano começa bem e sugere que possamos efetivamente ter um crescimento mais próximo de 2%, como mostram as projeções de mercado, cuja mediana está em 1,9%. Mostra também uma economia resistente a choques. Passamos por diversos nos últimos anos: pandemia, Guerra da Ucrânia, tarifaço, crise climática no Rio Grande do Sul, petróleo agora. Mesmo assim, o crescimento desde 2022 tem sido acima da média dos últimos 40 anos. Então, esse PIB tem uma cara boa — diz Roberto Padovani, economista-chefe do BV. O economista Cláudio Considera, pesquisador associado do FGV Ibre, destaca ainda que o crescimento da economia brasileira é admirável frente ao que se vê no restante do mundo: o Brasil teve o sexto maior crescimento do PIB no primeiro trimestre entre 45 países. A questão posta por Padovani é que uma da explicações para esse desempenho são os estímulos fiscais e parafiscais, que atuam em direção contrária à política monetária, podendo retardar o corte de juros, o que tem efeito efeito perverso sobre investimentos, reforçando um cenário de desaceleração no futuro. — A má notícia é que talvez esse crescimento não seja sustentável. Provavelmente, vamos ter uma desaceleração à frente - ressalta Padovani. O crescimento da economia está baseado na demanda, seja das famílias, seja do governo. Desemprego nos menores níveis históricos, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e crescimento da renda são citados por Considera e pela economista Juliana Inhasz Kessler, do Insper, para explicar o impulso vindo das famílias. O consumo de bens duráveis cresceu 5,2%, na comparação internanual, o de semiduráveis, 4,2% e dos não duráveis, 0,3%. Além disso, em ano eleitoral, o gasto do governo tradicionalmente também cresce. — A economia está crescendo em um cenário de política monetária bastante restritiva e de um governo gastando. A pergunta agora é se o Banco Central continuará ou não a trajetória de queda de juros. Essa é uma questão que permanece sobre a mesa. No fim do dia, o crescimento deste primeiro semestre mostra que o governo está tentando sustentar a demanda, mas a economia não decola assim. No final das contas, a gente cresce, mas em uma marcha bem forçada — avalia Juliana . Considera trabalha com a hipótese até de o Banco Central encerrar o corte da Selic já na próxima reunião, em junho. Na melhor das hipóteses, avalia, haverá um corte 0,25, o que mantém os juros ainda em patamar altamente contracionista no país.
Economistas veem resiliência da economia, mas alertam para crescimento insustentável
Economistas veem resiliência da economia, mas alertam para crescimento insustentável













