O ano vai a caminho da sua metade, com sinais até certo ponto desencontrados. Boa parte das condições vitais mostradas pelas estatísticas é relativamente boa, mas o cidadão comum não esconde certa sensação de sufoco.PUBLICIDADEO avanço do PIB no primeiro trimestre foi de bom tamanho, de 1,1% sobre o trimestre anterior. Não chegou a surpreender, mas mostrou força da atividade econômica. Em parte, essa força foi liberada com estímulos artificiais, os recursos eleitoreiros distribuídos pelo governo, que empurraram o consumo. É o efeito Doping desse crescimento da renda. Mas não se pode ignorar o efeito da expansão do agronegócio. As safras agrícolas de verão se concentram nos primeiros meses do ano. Pelo seu caráter sazonal, esse bom desempenho não se deve repetir no segundo semestre.As contas externas, por sua vez, seguem em excelente fase, reforçadas agora com o aumento das receitas com exportações de petróleo, graças ao aumento da produção e à escalada de preços provocada pela Guerra no Irã. Há muito não se fala em crise cambial, tormento da economia brasileira nas décadas de 80 e 90. A dívida pública continua crescendo, e não há sinal de reversão, fator que lança insegurança para o futuro Foto: PixabayO mercado de mão de obra vive momento de quase pleno emprego. Apenas 5,8% da população ativa vem procurando trabalho. Bom número de setores, um dos quais a construção civil, enfrenta escassez aguda de mão de obra.A inflação aumentou pela alta dos combustíveis e pelo despejo de recursos fiscais pelo governo. Mas está sendo contida pela valorização do real (queda das cotações da moeda estrangeira). Deve fechar o ano por volta dos 5%, acima do teto da meta, porque vem sendo puxada pelos preços dos combustíveis e pelo aumento da demanda dos alimentos.PublicidadeO que não vai bem são as contas públicas. O rombo vai se alargando e, com ele, a dívida pública. Pior, não há sinal de reversão desse déficit, fator que, por si só, lança insegurança para o futuro. A flacidez fiscal é o principal fator que exige juros básicos (Selic) elevados, hoje nos 14,5% ao ano, que encarecem o crédito.As empresas e o mercado financeiro estão imersos em incertezas, hoje espalhadas pela Guerra no Irã e pela proximidade das eleições que deverão determinar o futuro da política econômica.A sensação de sufoco vivida pela população está sendo espalhada principalmente pelo aumento do passivo geral. Nada menos que 80,4% das famílias estão endividadas. Foram empurradas ao consumo pelo governo e pela agressividade com que atuam as bets. O efeito do Desenrola 2 ainda não apareceu. Além do que, deverá funcionar mais como “reenrola” do que como desenrola.
Opinião | Economia cresce, mas dívida pública e juro alto repassam sensação de sufoco à população
Apesar do avanço do PIB e do mercado de trabalho, 80,4% das famílias estão endividadas; o Desenrola 2, programa do governo de renegociação de dívidas, pode virar um ‘reenrola’
















