0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carteira de trabalho — Foto: Agência Brasil RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 11:58 Desemprego no Brasil se mantém baixo mesmo com economia lenta Apesar da desaceleração econômica, o desemprego no Brasil deve permanecer baixo, em torno de 5,6%, apoiado por um crescimento do PIB de 2%, segundo especialistas. A escassez de mão de obra qualificada pode limitar o crescimento econômico, mesmo com uma alta taxa de informalidade. A informalidade e o trabalho autônomo atuam como amortecedores, mas a qualidade das ocupações pode cair. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A desaceleração da economia não deverá alterar significativamente a taxa de desemprego, que ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, segundo dados da Pnad Contínua divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. A projeção de crescimento de 2% do PIB para este ano, apresentada pelo Banco Central no Relatório de Política Monetária, deve ser suficiente para manter a geração de empregos. Ainda que em ritmo mais moderado, ela tende a sustentar a taxa de desocupação em patamar historicamente baixo. Essa é a avaliação do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre na área de mercado de trabalho. Segundo ele, o Brasil vive uma situação pouco comum, em que a escassez de mão de obra pode se tornar entrave ao crescimento da economia. — Na história recente da economia brasileira, só me lembro de um cenário parecido em 2013 e 2014. Precisamos aumentar a taxa de participação, que vem oscilando para baixo e ainda está abaixo do nível de 2019. Para colocar mais gente no mercado de trabalho, é necessário criar políticas de qualificação profissional, no caso dos jovens, que permitam que estudem e trabalhem ao mesmo tempo, além de incentivar a permanência no mercado de pessoas próximas dos 60 anos, em um contexto de envelhecimento da população. Há ainda a questão da informalidade — afirma o economista, que pesquisa educação e mercado de trabalho na Norwegian School of Economics (NHH), onde conclui seu doutorado em Economia. Ao comentar o mercado de trabalho durante a apresentação do Relatório de Política Monetária, o diretor do Banco Central Paulo Picchetti afirmou que a desaceleração na criação de vagas está relacionada justamente à escassez de mão de obra, em um cenário próximo do pleno emprego. BC diz que não ampliou horizonte de convergência da inflação: objetivo era apontar fim de efeitos do choque de oferta Vitor Hugo Miro, pesquisador associado do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste, do FGV Ibre, ressalta que essa escassez a que Duque se refere não é generalizada. — O país ainda dispõe de um contingente significativo de trabalhadores, inclusive com níveis relevantes de desemprego ampliado, subocupação e informalidade. Em determinadas regiões e grupos demográficos, há pessoas fora do mercado de trabalho que poderiam estar ocupadas. O problema é o "descasamento", mismatch, no jargão econômico: faltam trabalhadores em ocupações que exigem maior qualificação, o que pode se tornar um entrave ao crescimento, sobretudo diante das transformações tecnológicas já em curso — explica o pesquisador. Miro ressalta ainda que, em uma economia com elevada informalidade — que alcança 37,3% dos ocupados — e forte presença de trabalhadores por conta própria, hoje cerca de 26 milhões de brasileiros, o ajuste do mercado de trabalho à desaceleração da economia ocorre de forma diferente. — O contingente de trabalhadores informais e autônomos funciona como uma espécie de amortecedor do ciclo econômico. Eles não deixam de estar ocupados, mas suas condições de trabalho pioram, com redução da renda e jornadas inferiores às desejadas. Assim, o mercado de trabalho não se ajusta apenas por meio do aumento do desemprego aberto, mas também pela deterioração da qualidade e da intensidade das ocupações — afirma o pesquisador. O pesquisador também acredita que, mantido o cenário atual, a taxa de desemprego continuará em níveis baixos. Faz, porém, uma ressalva: — Obviamente, se a desaceleração se intensificar e se transformar em um período de estagnação, com crescimento muito baixo, o mercado de trabalho será afetado.