O desemprego no Nordeste acompanha as quedas históricas registradas no país, mas especialistas demonstram cautela com os índices. A taxa de desocupação terminou 2025 em 7,1%, o menor valor já medido na Pnad Contínua, do IBGE, pesquisa iniciada em 2012. O índice subiu para 8,4% no primeiro trimestre deste ano, também o menor da série para o período e um movimento esperado devido aos desligamentos dos empregos temporários do trimestre anterior, lembra William Kratochwil, analista do IBGE. As mínimas são atribuídas ao dinamismo no mercado de trabalho, mas permanecem problemas estruturais na região, como informalidade e subutilização elevadas. E a disparidade com o resto do país não está diminuindo - a região tem a maior taxa de desemprego entre todas as regiões, superando Norte (7%), Sudeste (5,9%), Centro-Oeste (4,8%) e Sul (3,5%). “Ao observarmos a razão das taxas da região Nordeste em relação ao país e às demais regiões, percebemos que, ao longo da série histórica, desde 2012 houve um momento em que ela diminuiu, mas essa razão está maior”, diz Kratochwil. Naquele ano, explica, essa razão era de 1,9 para a região Sul, ou seja, o desemprego no Nordeste era quase o dobro do registrado na média de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Agora a razão está em 2,4, o que quer dizer que a taxa nordestina está 2,4 vezes maior que a sulista. “Esse aumento aconteceu na comparação com todas as grandes regiões”, afirma o analista do IBGE. E o efeito é o mesmo independentemente de sexo, idade e escolaridade, completa. Taxa de desocupação no Nordeste no primeiro trimestre foi de 8,4% - a maior registrada em todo o país A taxa de subutilização no Nordeste também é a maior do país. No primeiro trimestre foi de 23,7%, bem acima da média nacional (14,3%) e das regiões Norte (17,9%), Sudeste (11,7%), Centro-Oeste (9,4%) e Sul (7,6%). Esse indicador ampliado incorpora não apenas os trabalhadores desocupados, mas também aqueles que se encontram subocupados e os que compõem a força de trabalho potencial (gostariam de trabalhar, mas não estão procurando emprego, incluindo os desalentados). Ainda assim, a região teve em 2025 o segundo melhor resultado nacional na criação de vagas, atrás apenas do Sudeste. O saldo positivo foi de quase 348 mil no ano passado, segundo o Caged. Em termos percentuais, foi a maior alta do país (4,38%). O segmento de serviços foi o principal motor de contratações, responsável por 55,4% das novas vagas. O comércio respondeu por 17,5% do saldo, enquanto a construção concentrou 14,1% e a indústria, 11,3%. A agropecuária representou apenas 1,7% dos novos postos.
Desemprego cai, mas sobe distância de outras regiões
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