O aumento do desemprego no trimestre encerrado em abril, ante janeiro, é sazonal e o mercado de trabalho segue em alta em uma trajetória de mais longo prazo, como na comparação com o ano passado. A avaliação foi feita pela coordenadora das pesquisas por amostras de domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua apontou uma taxa de desemprego de 5,8% no trimestre encerrado em abril, acima dos 5,4% do trimestre concluído em janeiro. Esta é a comparação mais indicada pelo IBGE para avaliar o desempenho a curto prazo. No trimestre encerrado em março, a taxa foi de 6,1%. Neste caso, no entanto, há dois meses iguais nos períodos comparados (fevereiro e março). “O comportamento [aumento do desemprego no trimestre encerrado em abril] não significa necessariamente piora do mercado de trabalho, mas é relativamente natural nesta época, que em alguns anos pode ser maior ou menor”, afirmou Beringuy, ao comentar os resultados. Tradicionalmente, no fim do ano há contratação de trabalhadores temporários em setores como comércio e agora também em transporte e logística, por causa do varejo online. No início do ano seguinte, ocorre dispensa de parte desses trabalhadores. O resultado da PNAD Contínua de abril, detalhou a coordenadora do IBGE, tem influência dos meses de fevereiro e março, ainda impactados por esses efeitos sazonais do início do ano. “Quando o ano vira, tem um movimento de retração da ocupação, muito pela não retenção de pessoal ocupado nessas atividades e também pela maior procura por trabalho”. No caso do contingente de trabalhadores desempregados, o trimestre encerrado em abril foi de aumento de 8% ante o trimestre encerrado em janeiro, para 6,3 milhões, mas redução de 11,3% ante igual trimestre de 2025. “Embora tenha havido expansão do número de desocupados na comparação mais curta, no confronto anual segue a expansão do mercado de trabalho, sustentado pela tendência de queda da população desocupada”, afirmou Beringuy. Adriana Beringuy, coordenadora das pesquisas por amostras de domicílios do IBGE — Foto: Divulgação/IBGE