0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carteira de trabalho — Foto: Marcelo Casal Jr./Ag. Brasil Há uma desaceleração lenta do mercado de trabalho no Brasil. Apesar de a taxa de desemprego ter recuado em junho, para 5,4%, o menor índice já registrado para o mês, economistas enxergam estabilidade desde o início do ano. A leitura é feita em conjunto com o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira, que mostrou a criação de 921,6 mil vagas formais no primeiro semestre, o pior resultado para o período desde a pandemia. Para Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, essa desaceleração lenta não é incompatível com o nível elevado dos juros - o Brasil tem hoje o maior juro real do planeta - por dois motivos. O primeiro deles é o fato de o mercado de trabalho ser uma variável defasada . Segundo, explica, porque o governo contrabalança a política monetária contracionista do Banco Central com uma política fiscal expansionista. — O nível da população ocupada está próximo do breakeven para a estabilidade da taxa de desemprego e da massa salarial real. O economista Fernando Holanda Barbosa Filho, pesquisador sênior do FGV Ibre, ressalta que a taxa de desemprego com ajuste sazonal está praticamente estável desde o fim do ano passado. Quando houver uma desaceleração, afirma, a taxa não terá saltos, não irá aos dois dígitos. Segundo Holanda, a taxa de desemprego brasileira tende a permanecer mais baixa do que a observada na década passada. — O mercado continua forte e deve mostrar resiliência mesmo com juros altos, por conta do ciclo eleitoral. Mas, mesmo quando desacelerar, a tendência é que a taxa continue baixa, pois houve uma redução estrutural. Esse movimento tem relação com a reforma trabalhista feita no governo de Michel Temer, a melhora da educação e também o envelhecimento da população brasileira — pontua o pesquisador. A esses fatores, Leal acrescenta outro: a queda na taxa de participação. Ou seja, proporcionalmente, há menos pessoas ativas disputando as vagas disponíveis. Reforçando o entendimento que a taxa natural de desemprego é mais baixa do que era antes da pandemia.
Mesmo com queda no desemprego, mercado de trabalho dá sinais de desaceleração, analisam economistas
Mesmo com queda no desemprego, mercado de trabalho dá sinais de desaceleração, analisam economistas












