O avanço das mudanças climáticas e a maior frequência de eventos extremos estão ampliando os deslocamentos populacionais no Brasil e impondo novos desafios às cidades, que precisarão reforçar investimentos em adaptação, prevenção de riscos e infraestrutura urbana. O tema foi debatido nesta terça-feira (2), durante a Rio Nature & Climate Week, em painel que reuniu a oficial nacional da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Débora Castiglione, e a vereadora do Rio e ex-secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula (PT). Segundo Castiglione, os desastres climáticos já provocam impactos crescentes sobre a mobilidade humana no país. Ela citou eventos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul e em Pernambuco, e destacou que os movimentos populacionais relacionados ao clima vão muito além das situações emergenciais. A representante da OIM afirmou que Nordeste e Amazônia estão entre as regiões mais sensíveis do mundo à migração climática, segundo o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para ela, a adaptação precisa ser encarada também como uma política de prevenção de deslocamentos forçados. A especialista também defendeu que a justiça climática seja incorporada de forma prática às políticas públicas. Segundo ela, os impactos das mudanças climáticas variam de acordo com fatores como renda, idade, território e condição migratória, exigindo respostas adaptadas às diferentes vulnerabilidades. “Os impactos da mudança do clima não são iguais para todos. A adaptação precisa reconhecer essas diferenças e ajudar a reduzir desigualdades que já existiam antes da crise climática”, disse. No mesmo painel, Tainá de Paula afirmou que a agenda climática das cidades entrou em uma nova etapa, marcada pela busca por mecanismos de financiamento para projetos de adaptação e mitigação. Segundo ela, o debate climático deixou de se concentrar apenas em metas e passou a discutir formas concretas de implementação. A ex-secretária destacou iniciativas implementadas durante sua gestão no Rio, como a criação de um orçamento climático municipal, a expansão de parques urbanos em áreas periféricas e programas voltados ao reflorestamento e à redução dos impactos das ondas de calor em regiões vulneráveis. Segundo ela, o fortalecimento da produção de dados também será fundamental para orientar investimentos e políticas públicas: “A gente precisa construir capacidade de planejamento de longo prazo e identificar quais territórios precisam ter prioridade no acesso aos recursos para adaptação climática." A discussão integrou a programação da primeira edição da Rio Nature & Climate Week, evento realizado no Rio que reúne mais de 100 organizações, representantes de governos, empresas, cientistas e entidades da sociedade civil para debater soluções ligadas ao clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. O Rio Grande do Sul foi cenário de eventos climáticos intensos — Foto: Wirestock/Freepik