Programação, que se estenderá até o dia 6 de junho, será encerrado com show gratuito na Enseada de Botafogo O primeiro dia de Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação/Rio Nature & Climate Week RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 21:44 Rio Nature & Climate Week: Alertas e Shows em Prol do Clima no Brasil A Rio Nature & Climate Week iniciou com alertas sobre a emergência climática no Brasil. O evento, inspirado na New York Climate Week, aborda temas como desmatamento na Amazônia e impactos do aquecimento global. Debates destacam a importância de políticas locais para enfrentar a crise climática, enquanto shows gratuitos, com artistas como Lauryn Hill e Ludmilla, encerram a programação na Enseada de Botafogo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A abertura da primeira edição da Rio Nature & Climate Week, encontro internacional voltado para debates sobre mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável, ocorreu na tarde desta terça-feira no Edifício Touring, na região do Píer Mauá. A programação segue até o dia 6 de junho, com conferências e debates distribuídos por diferentes espaços da cidade, incluindo o Museu do Amanhã. Após as boas-vindas de Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza e Clima Brasil, e do secretário municipal de Cultura do Rio, Lucas Padilha, o cientista e meteorologista Carlos Nobre abriu a agenda de palestras com a apresentação "Emergência Climática: desafios a serem enfrentados". O cientista e meteorologista Carlos Nobre abriu a agenda de palestras com a apresentação "Emergência Climática: desafios a serem enfrentados". — Foto: Reprodução/Rio Nature & Climate Week Inspirado na New York Climate Week, Nobre destacou a importância de o Rio sediar um evento voltado à agenda climática. Durante sua palestra, chamou atenção para os chamados "pontos de não retorno" — limites críticos a partir dos quais alterações ambientais podem se tornar irreversíveis — em quatro biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga. — Nós, cientistas climáticos, chamamos de emergência climática. Atingimos pela primeira vez 1,5 grau de aquecimento global. Isso está levando ao aumento do nível do mar. Nos últimos 30 anos, o nível do mar já aumentou mais de 20 centímetros globalmente. Se passarmos de 1,5 grau, vamos atingir muitos pontos de não retorno — afirmou. Segundo o pesquisador, o Cerrado e a Caatinga já tiveram 48% de sua vegetação original desmatada. No Pantanal, áreas permanentemente alagadas que décadas atrás somavam cerca de 20 mil quilômetros quadrados foram reduzidas para 6 mil quilômetros quadrados. Já a Amazônia, que concentra a maior floresta tropical e a maior biodiversidade do planeta, registra aproximadamente 23% de desmatamento, impulsionado principalmente pela expansão da pecuária. Ao apresentar possíveis caminhos para enfrentar a crise climática, Nobre defendeu o desmatamento zero, o combate às queimadas e à degradação ambiental, além da ampliação de programas de restauração florestal. O cientista também destacou a necessidade de investir em iniciativas de sociobioeconomia e na valorização dos povos indígenas e das comunidades locais, que, segundo ele, desempenham papel fundamental na conservação dos ecossistemas brasileiros. Rio em pauta Debate no Rio Nature & Climate Week: Debora Castiglione, Oficial Nacional de Migração, Meio Ambiente, Mudança do Clima e Redução de Riscos de Desastres, e Tainá de Paula, ex-secretária municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/Rio Nature & Climate Week Na sequência, o debate "Cidades na linha de frente: justiça, território e a transição climática urbana" reuniu a ex-secretária municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro, Tainá de Paula, e a oficial nacional de Migração, Meio Ambiente, Mudança do Clima e Redução de Riscos de Desastres da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Débora Castiglione. Tainá destacou que a principal contribuição da cidade para a agenda climática é a capacidade de planejar e direcionar investimentos para adaptação e mitigação dos impactos ambientais. Ela citou iniciativas como o orçamento climático, os observatórios de calor, os parques urbanos em áreas periféricas e o programa Cada Favela uma Floresta, defendendo que as políticas climáticas devem ser territorializadas e priorizar populações mais vulneráveis. — Desassociar estrategicamente por território, ter ações diretas de adaptação e mitigação territorializadas, eu acho que foi o grande salto que o Rio de Janeiro deu. A pauta ambiental é transformadora das nossas sociabilidades, das nossas vidas, da nossa saúde, mas principalmente do modelo de vida e de sociedade que a gente quer construir — afirmou. Já Débora Castiglione ressaltou que a crise climática também é uma crise humanitária, com impactos crescentes nos deslocamentos populacionais causados por desastres naturais. Ela defendeu que as cidades devem investir tanto em prevenção quanto em respostas mais eficazes para proteger populações vulneráveis, incorporando a justiça climática como princípio central das políticas públicas. — As ações de adaptação podem ser uma ferramenta importante, uma oportunidade importante para superar desigualdades antigas e pré-existentes. É importante pensar na justiça climática não só como um ideal ou um conceito abstrato, mas como algo que precisa ser colocado em prática e transformado em realidade para a vida das pessoas — destacou. Responsabilidade do setor privado Da esquerda para direita: Felipe Villela, diretor do The Earthshot Prize; Jessica Silva, CEO do Sistema B Brasil; Ricardo Mussa, da SBCOP, e Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken — Foto: Divulgação/Rio Nature & Climate Week A programação também contou com o debate “Os negócios como força motriz para a implementação: liderança do setor privado em prol da natureza, do clima e do desenvolvimento”. No painél, discutiram sobre Ricardo Mussa, da SBCOP, Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken, e Jessica Silva, CEO do Sistema B Brasil. No encerramento do dia, o painel “Do Compromisso à Coordenação: Avançando a Ação Conjunta entre as Convenções do Rio” reuniu lideranças das negociações climáticas globais, entre elas Ana Toni, CEO da COP30, e Alain Richard Donwahi, presidente da COP15 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). O debate abordou a necessidade de integrar as agendas de clima, biodiversidade e combate à desertificação para acelerar a implementação dos compromissos assumidos pelos países. Alain Richard Donwahi, presidente da COP15 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), e Ana Toni, CEO da COP30, no Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação/Rio Nature & Climate Week Show gratuito Além dos debates e palestrassobre clima e biodiversidade, a Rio Nature & Climate Week será encerrada com música. O Global Citizen retorna ao Brasil com duas ativações na cidade: o Global Citizen NOW: Rio de Janeiro, cúpula voltada para a mobilização de líderes e organizações em torno dos principais desafios globais, na quinta-feira, 4 de junho; e o Global Citizen Live: Rio de Janeiro, que fecha a programação no sábado, 6 de junho, com shows gratuitos na Enseada de Botafogo. A apresentação terá como destaques Ms. Lauryn Hill e Wyclef Jean, que celebrarão os 30 anos do álbum The Score, clássico do Fugees, além de um show da cantora Ludmilla. O acesso será restrito ao público que retirou antecipadamente os ingressos gratuitos disponibilizados pela organização. O palco já está montado próximo ao Edifício Argentina, na Enseada de Botafogo, e toda a área do evento será cercada. A entrada do público ocorrerá pelos portões instalados no lado oposto ao palco, nas proximidades das ruas São Clemente e Marquês de Olinda. Os acessos serão abertos às 14h. De acordo com a organização, os shows começam às 17h e têm término previsto para as 22h.
Rio Nature & Climate Week abre com alerta sobre avanço da emergência climática
Programação, que se estenderá até o dia 6 de junho, será encerrado com show gratuito na Enseada de Botafogo







