Os ex-governadores e pré-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) culparam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela proposta de um novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, anunciada nesta terça-feira (2), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O ex-governador de Minas Gerais disse a jornalistas que a proposta impor tarifas de 25% sobre parte das importações do Brasil é resultado da "inoperância e incompetência" do governo Lula. "Isso demonstra claramente a inoperância, a incompetência do governo Lula com as relações internacionais. Durante o governo Lula nós temos assistido o Brasil se aproximar de governos autoritários, de Cuba, de Irã, de outros governos, que são tudo menos democráticos e distanciar de países do Ocidente. E o resultado está aí mais uma vez. Quem perde é quem trabalha, quem produz", afirmou Zema, durante a Megaleite, em Belo Horizonte. Zema defendeu a aproximação do Brasil com países do Ocidente. "Nós somos um país ocidental, cristão, as nossas raízes estão na Europa e temos na América países que são nossos irmãos ou primos e damos as costas aos mesmos", disse. O USTR concluiu na segunda-feira uma investigação sobre o Brasil e afirmou que algumas práticas do país prejudicariam o comércio dos Estados Unidos. Com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A exceção cabe a mercadorias que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional". A proposta ainda precisa ser ratificada pelo presidente americano Donald Trump. Ex-governador de Goiás, Caiado disse que o Itamaraty, na gestão do petista, adotou um "lado ideológico" e trabalhou para romper o relacionamento com os Estados Unidos. "Sou mais do que nunca patriota e brasileiro, e defendo a soberania brasileira. O que o PT não defende é a soberania brasileira, que hoje está na mão da corrupção e do narcotráfico", afirmou Caiado. Caiado disse que, em relação ao resultado da investigação americana, algumas situações procedem, como dizer que as facções criminosas são grupos terroristas e que a corrupção interna no país precisa ser controlada. "Agora, o que nós não podemos aceitar é que venham taxar aquilo que realmente o Brasil sempre teve uma parceria. Nós esperamos que esse diálogo seja reaberto se nós chegarmos ao governo, para que não tenha retaliação a aço, a móveis e outros. Não soltaram ainda a relação toda dos segmentos que serão penalizados", afirmou Caiado. O governo brasileiro reagiu ao anúncio americano. Em cerimônia pública, Lula, pré-candidato à reeleição, disse que a decisão dos EUA foi tomada de forma “intempestiva” e com base em informações que, segundo ele, não correspondem à realidade da relação comercial entre os países. O presidente também atribuiu a medida à visita do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump, na semana passada. O senador disse ter pedido para o presidente americano não taxar o país.