O estudante de farmácia Christyan Pereira, 23, deve mais de R$ 4.000 e está impedido de buscar novos empréstimos no sistema financeiro. Aos 18 anos, recebeu limites de crédito quase cinco vezes maiores que a renda mensal que conseguia trabalhando como jovem aprendiz em Florianópolis.

Ferramentas de inteligência artificial contribuem para esse quadro, segundo especialistas. Ao mesmo tempo em que facilitam o acesso a serviços financeiros digitais, as novas tecnologias ampliam o risco de endividamento.

Uma pesquisa realizada pela consultoria PwC com 44 instituições financeiras digitais no ano passado mostrou que o uso da IA cresceu com a expansão de crédito no Brasil: 67% das fintechs usam recursos de inteligência artificial em processos de automação e operações internas, enquanto 52% buscam o desenvolvimento de novos produtos com ela.

Dados do Banco Central (BC) apontam dívidas com bancos e cartões de crédito como os principais motivos pelos quais as pessoas deixam de pagar as contas. O número de jovens entre 18 e 29 anos com acesso a crédito dobrou em oito anos, passando de 13,7 milhões para 27,6 milhões de pessoas.

Como Christyan, há 9,3 milhões de brasileiros endividados e com o nome negativado na Serasa na faixa etária de 18 a 25 anos, em que se encontra a chamada geração Z. Em abril, 83,3 milhões de brasileiros estavam nessa situação.