O governo federal tem um plano para desenvolver uma indústria brasileira de inteligência artificial e reduzir a dependência externa do país nessa área, mas objetivos difusos, limitações orçamentárias e travas da legislação têm freado sua execução.
Lançado em 2024 e batizado como PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), ele prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, o equivalente a cerca de US$ 4,6 bilhões. Apenas em 2026, a China planeja investir US$ 120 bilhões na área, dentro da política AI Plus, parte do seu 15º Plano Quinquenal.
O governo chinês estabeleceu metas para uso da IA nas principais atividades econômicas até 2030 e busca autonomia na produção de chips e na criação de algoritmos, para não depender de fornecedores estrangeiros.
Yi Shin Tang, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo, diz que o modelo político centralizado do regime chinês pode facilitar a implementação do plano em grande escala. "A China está construindo uma sociedade orientada pela inteligência artificial. O país entende que, se perder espaço nessa frente, perde também sua capacidade de se contrapor aos Estados Unidos", afirma.
"Implementar uma política de automação completa ou instalar uma rede de IA no sistema judiciário, por exemplo, é factível, porque o regime chinês não tem amarras políticas ou jurídicas que o impeçam de favorecer grupos de interesse dentro do país", diz Tang. Enquanto isso, democracias como o Brasil têm que negociar com grupos de interesse que podem contestar decisões.














