No fim de 2024, uma senhora atormentada por artrose crônica buscou ajuda de um sistema de inteligência artificial e tentou convencê-lo de que a única forma de aliviar suas dores seria substituir os remédios tradicionais por drogas mais fortes. Era um disfarce, criado por um homem contratado para impedir que a IA fizesse o que a mulher queria.

Ele trabalha como anotador numa plataforma que presta serviços para grandes empresas no desenvolvimento dessas tecnologias. A missão era testar a IA e refinar sua capacidade de interação, corrigindo falhas de programação e zelando pelo cumprimento de diretrizes que impedem as máquinas de abordar assuntos mais sensíveis.

"A ideia era que eu incentivasse a IA a falar sobre temas como abuso de drogas, cyberbullying, automutilação e extremismo político", conta o anotador, que aceitou conversar sobre a experiência com a condição de não ser identificado pela reportagem. "A lista de assuntos era bem grande."

Nesse período, ele chegou a trabalhar dez horas por dia na frente do computador, ganhando US$ 10 por hora, o equivalente a pouco mais de R$ 50 hoje. Após a conclusão do projeto em que se disfarçou como a senhora com artrose para conversar com a IA, ele desempenhou tarefas mais simples, checando respostas da inteligência artificial e corrigindo conceitos.