A estratégia de Trump em torno do Irã e dos Acordos de Abraão parece ter mais relação com a construção de um legado pessoal do que com um projeto consistente de paz para o Oriente Médio. O que move o presidente americano é a necessidade de produzir algum tipo de desfecho para uma guerra impopular e economicamente desgastante que os próprios Estados Unidos ajudaram a aprofundar.
Nesse tabuleiro, Israel sequer aparece como protagonista estratégico: torna-se um ator dependente do humor político e dos interesses circunstanciais da Casa Branca.
Nas últimas semanas, Trump passou a pressionar países árabes e muçulmanos, incluindo Arábia Saudita, Qatar e até o próprio Irã, a aderirem aos Acordos de Abraão. A retórica é típica do trumpismo: grandiosa, personalista e centrada na ideia de um "grande acordo histórico".
Por trás da linguagem performática, porém, existe um dado concreto: Washington demonstra fadiga em relação à guerra e busca encerrar frentes de conflito antes que produzam desgaste ainda maior.
Ao apostar em arranjos conduzidos diretamente por Washington, Trump parece tentar substituir organismos multilaterais tradicionais, especialmente a ONU, por coalizões sob liderança norte-americana direta. São espaços em que os Estados Unidos não precisam dividir protagonismo com China, Rússia ou Europa.














