O ministro Mailson da Nóbrega disse que a Constituição de 1988 foi o maior desastre econômico da história, noticiou este jornal. Outro dia, o deputado Kim Kataguiri, 3º melhor deputado desta legislatura, propôs um plebiscito por uma nova carta. Seu foco era na segurança, portanto diferente do de Mailson, que era na economia, e diferente do de Fernando Haddad, que eu não sei qual era.PUBLICIDADEEm 2018, o plano de governo de Haddad à Presidência previa uma constituinte. O candidato foi ao Jornal Nacional e disse que retiraria essa proposta, acenou no 1º dia do 2º turno daquelas eleições, que também marcam o famoso editorial Uma escolha muito difícil, deste jornal.Eu também tenho a minha ideia de constituição. Ela exigiria equilíbrio financeiro para os gastos com a Previdência, e iria além, exigindo também equilíbrio atuarial, ou seja, que não tivéssemos déficits recorrentes, nem hoje nem no futuro. Teríamos contas públicas equilibradas, com juros baixos e crescimento econômico.Leia tambémBolsa Família: de intocável, o programa entrou na tesoura, Luciano; quanto queremos gastar? O Estado contra o crescimento: reforma administrativa deveria incluir o ‘custo da inação’Eu até escreveria lá que o governo só pode pegar dinheiro emprestado se for para investir, nunca para despesas cotidianas. A constituição perfeita também diria que agentes públicos não podem ganhar mais do que um teto e que nenhum projeto de lei criando despesa ou cortando receita poderá existir sem que tenha seu impacto estimado. Ainda do lado da taxação, a minha constituição iria estabelecer que quanto mais rico, mais imposto se paga.PublicidadeTeríamos um Estado gerando bem menos desigualdade. Eu estabeleceria ainda que as crianças devem ser prioridade da nossa sociedade, na verdade eu falaria até que elas deveriam ser prioridade absoluta, permitindo que o uso de nossos recursos fosse mais efetivo no combate à pobreza.Por fim, eu colocaria lá o pleno emprego como princípio constitucional para a nossa economia. Não teríamos, assim, decisões judiciais ou regulatórias priorizando outros valores em detrimento da geração de renda, seja no direito do trabalho, no ambiental ou no urbanístico. Com a minha constituição, o Brasil seria uma potência. Mas o leitor mais assíduo já percebeu onde estamos chegando: todas essas ideias já estão positivadas na nossa Constituição. Parte delas, inclusive, desde o ano mágico de 1988.Boa parte das ideias a sociedade sugere para a Constituição já estão positivadas na nossa Constituição Foto: AlfRibeiro - stock.adobe.comÉ como se o problema da nossa Constituição fosse o que escolhemos ler, não o que está escrito lá. Como se fossem as forças políticas existentes na sociedade que nos levam às nossas mazelas, não o texto constitucional em si, que seria interpretado de forma pouco literal.Se a gente mudasse tudo, mudaria alguma coisa?