Brasil Adiante: primeiro encontro discutiu papel do Estado e reformas no Judiciário; veja como foiCiclo de debates vai até agosto e busca encontrar soluções para os desafios do próximo governo. Crédito: João Abel (edição) e Bruno Nogueirão (fotografia e som)Gerando resumoO ex-ministro da Fazenda Maílson da Nobrega disse nesta quinta-feira, 28, que a Constituição de 1988 é a raiz dos problemas fiscais do Brasil e foi o maior desastre econômico da história. Ele também destacou que a situação das contas públicas ficou insustentável, empurrando o País a uma crise fiscal sem precedentes na falta de perspectiva de propostas de ajustes no debate eleitoral.“Nós festejamos a Constituição de 88 pelo lado das instituições da democracia, o seu contrapeso, mas foi o maior desastre econômico da história, que até hoje ecoa no Brasil”, comentou durante o Pine Macro Day, fórum promovido pelo banco Pine, do qual é membro do conselho de administração.O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nobrega Foto: Iara MorselliSegundo o ex-ministro, a ideia que prevaleceu na Constituição foi a de reduzir as desigualdades e a pobreza por meio de aumento do gasto público. Ao contrário da China, que escolheu um modelo de crescimento baseado em ganhos de produtividade, o Brasil, comparou Maílson, optou pelo gasto público em programas sociais, o que levou a uma deterioração fiscal que estrangulou os investimentos.Leia tambémO déficit fiscal é estrutural, não tem ideologia; o governo e o Congresso precisam entender e agir‘Arcabouço fiscal e teto de gastos fracassaram’, diz Marcos Mendes‘Brasil Adiante’: O Estado precisa se reconciliar com a matemáticaPUBLICIDADEAssim, enquanto os Estados Unidos cresceram 37% nos últimos 12 anos, o Brasil cresceu 15% no mesmo período, salientou. Citando as previsões da equipe econômica de que todo o espaço para gastos do orçamento vai ser tomado por despesas obrigatórias no ano que vem, Maílson afirmou que a situação fiscal se tornou insustentável e está se aproximando de um ponto de ruptura.“A hora da verdade está chegando”, assinalou. Ele disse, porém, que não há perspectiva de o ajuste fiscal entrar no debate das eleições deste ano, o que pode levar o Brasil a uma crise fiscal, com consequente recessão econômica.