"Can We Laugh at That?", de Jacques Berlinerblau, analisa o humor nos tempos conflagrados em que vivemos. É um livro interessante e paradoxal. Como não poderia deixar de ser, ele traz várias piadas, mas muitos as considerarão ofensivas e não rirão delas. Pelo contrário, ficarão indignados. O autor, porém, não teria como se abster de reproduzir essas anedotas, que são o objeto mesmo de que trata a obra.
Não estou entre os indignados. Devo ser o sonho de consumo dos comediantes, já que rio de tudo, incluindo piadas de judeu e que troçam de outras categorias a que eu possa pertencer. Devo ser um dos últimos, mas introjetei a ideia básica de que o humor não é para ser levado a sério.A tese central de Berlinerblau é a de que a era digital modificou a dinâmica da comédia. Até alguns anos atrás, era baixo o risco de alguém se deslocar para assistir a um show que não apreciaria, daí que era difícil que piadas gerassem grandes círculos de indignados. A internet mudou isso. Hoje, tudo está a um clique de distância e nunca foi tão fácil deflagrar ondas de indignação moralizante. Comediantes, sendo o que são, não raro transformam a reação em material de novas piadas, redobrando a carga de ultraje.













