Os manuais de direito penal asseguram que não existe estelionato ou fraude culposos. Não é possível aplicar um golpe "sem querer". A própria definição do crime já exige a intenção de cometê-lo. Mas "Aventureiros e Larápios", de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr., mostra que o mundo tende a ser mais complicado do que querem nossas teorias.
O livro traz o perfil de 15 personagens que quebraram os mercados. Alguns, os aventureiros, eram visionários que cometeram erros de boa-fé e tentaram sair honradamente da encrenca. Um bom exemplo é Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá. Apesar da espetacular falência, deixou um legado positivo para o país.
Outros, os larápios, eram bandidos desde criancinhas. Parecem já ter entrado nos negócios com a intenção de separar criminosamente investidores de seu dinheiro. Daniel Vorcaro ainda não foi julgado, mas é sério candidato a integrar nessa lista. Há vários outros, porém, que parecem ter começado suas transações munidos das melhores intenções, mas, à medida que foram colhendo insucessos, tentaram encobrir os erros, muitas vezes fruto de megalomania, recorrendo a delinquências. Edemar Cid Ferreira, do banco Santos, pode ser um desses casos.






