Em novembro passado, prestes a entregar os originais de seu novo livro à editora, o economista Roberto Teixeira da Costa e o jornalista Fábio Pahim Jr. acordaram com a notícia da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido em um dos maiores escândalos financeiros do País, o do Banco ­Master, com ramificações tão extensas que ainda não foram totalmente desvendadas. A impressão dos originais do livro em questão, Aventureiros e Larápios, escrito pela dupla e composto de perfis de homens e mulheres que balançaram os mercados financeiros ao adotarem métodos questionáveis e nem sempre éticos para ganhar dinheiro, foi adiada para a adesão de mais um capítulo. “Não podia deixar de incluir o perfil de Vorcaro no livro, o que, pelo andar da carruagem, já se configura como o maior larápio que o Brasil teve”, conta Costa, agora com a obra finalmente lançada.

Aos 91 anos, com a autoridade de quem participou da criação da Comissão de Valores Mobiliários e de ter sido seu primeiro presidente, em 1977, Costa foi um dos principais arquitetos do mercado de capitais moderno do Brasil e da difusão de práticas de governança nas empresas e instituições financeiras. Observador privilegiado do sistema bancário nacional, ele avalia que Vorcaro é fruto da falta de ética e moral que vem se instalando no País ao longo dos anos e das relações um tanto incestuosas entre políticos e iniciativa privada. “Vorcaro acreditava que por causa de suas relações podia continuar com seu esquema, oferecendo retornos bem mais elevados que o mercado, mesmo com seu banco já apresentando problemas de liquidez.”