Tim Harford consegue transformar conceitos difíceis da economia em best-sellers. Seu livro "O Economista Clandestino" vendeu mais de 1 milhão de exemplares no mundo todo, o que não acontece todo dia com obras de divulgação científica.
"How to Make the World Add Up" vai na mesma linha, mas tentando tornar a estatística, mais especificamente as toneladas de dados a que somos submetidos diariamente ao ler um jornal, por exemplo, em algo mais inteligível.
O que eu achei particularmente interessante no livro é que Harford opera mais com a psicologia do que com a matemática propriamente dita. A maior parte das dez regras que ele elabora para nos ajudar a navegar nesse mundo tem mais a ver com o modo pelo qual lemos os dados do que com a forma pela qual eles são produzidos. É um jeito, eu diria, bem bayesiano de lidar com a questão.
Para tornar a discussão mais concreta, a primeira regra de Harford é que devemos avaliar como a estatística anunciada nos afeta emocionalmente. Humanos temos o péssimo hábito de nos apegar a tudo o que reforce aquilo em que já acreditamos e rejeitar, às vezes visceralmente, o que vai contra nossas convicções. É uma receita infalível para não entender o mundo. Apenas nos darmos conta de que esse é um fenômeno que nos afeta diuturnamente já tende a nos tornar melhores intérpretes.









