Um economista muitas vezes ouve perguntas sobre o que se deve ler para aprender um pouco de economia. As pessoas percebem que o que acontece na economia —como inflação, recessão, regulamentação ou comércio exterior— é importante para elas, tanto quanto a ciência da computação da IA ou a ciência psicológica da depressão maníaca.

É fácil responder a perguntas sobre química, grego antigo ou qualquer ciência consolidada. Se você perguntar a uma astrônoma o que deve ler para aprender um pouco de astronomia, ela não terá dúvida: "Pegue qualquer livro didático universitário para o primeiro ano de astronomia". Na verdade, foi o que fiz décadas atrás, inspirada por um amigo que tinha feito o mesmo. Ele era melhor que eu em matemática, e mais tarde sua filha ganhou um Nobel de astronomia. Eu gostava muito de astronomia quando criança, até descobrir que era física aplicada, e a física era matemática aplicada. Como economista adulta, porém, eu sentia menos medo da matemática, que de todo modo não é muito usada no livro didático do primeiro ano.

Mas há um problema com a economia, até mesmo com a do primeiro ano. A economia não está estabelecida.

Isso não é totalmente ruim, nem um escândalo vergonhoso da ciência. Obviamente, para começar, a economia envolve questões éticas sobre as quais os humanos discordam. Por outro lado, discordar, falar, amar e odiar, comuns entre seres humanos, não são tão simples quanto as massas pontuais da física. Um economista certa vez comentou que a física seria radicalmente diferente, e menos definida até mesmo em relação às massas pontuais, se os átomos pudessem conversar entre si.