Adam Smith, grande filósofo escocês, cunhou a expressão Homo ­economicus, uma herança genética presente em todos os seres humanos: nascem com noções básicas de economia no seu DNA.

Doctor Smith também lançou duas expressões bastante conhecidas e talvez ainda hoje mal compreendidas: o egoísmo aparente, segundo o qual, se cada um buscar o melhor para si, todos ganham, ou seja, uma sociedade mais rica. A outra seria a mão invisível, que faria o mercado funcionar. Nada a ver com a noção de equilíbrio, mas supõe que consumidores e produtores se autoajustem dinamicamente. É importante sublinhar a palavra “dinamicamente” para escapar do enclausuramento da economia capitalista nas masmorras do equilíbrio.

Paul Krugman distribuiu cacetadas aos adeptos da austeridade, essa banalidade estática. Segundo o ex-colunista do New York Times, os “austeros” equiparam o problema da dívida nacional de uma economia ao da dívida de uma família. Se uma família acumulou dívidas demais, deve apertar os cintos. Os governos não devem fazer o mesmo?

A resposta de Krugman: uma economia não é uma família endividada. “Nossa dívida (privada) consiste principalmente de dinheiro que devemos uns aos outros; ainda mais importante, nossa renda provém principalmente da venda de coisas uns aos outros. Seu gasto é minha renda e meu gasto é sua renda. Assim, o que acontece se todo mundo reduzir o gasto simultaneamente, a fim de reduzir suas dívidas? Resposta: “A renda cai.”