A inconveniência é a alma do humor. Sem ela, a comédia vira piada monitorada, direcionada –e piada que quer ser engraçada, pra mim, mais irrita do que diverte.
Num tempo em que tudo o que se fala parece ser fiscalizado por um comitê de prevenção de incêndio moral, E.T. – Edu e Tatá chega com um fósforo aceso e um balde de gasolina. O programa nasce do encontro entre a (invejável) liberdade caótica de Eduardo Sterblitch e a velocidade verbal e mental de Tatá Werneck. Os dois operam na mesma frequência de pane e, contra todas as normas de segurança, funcionam.
A dupla consegue fazer rir sem se dobrar às sensibilidades coletivas e sem apelar para a velha grosseria fantasiada de ousadia. O resultado é um nonsense sem a mínima compostura. Tatá e Edu não têm medo do vexame. Pelo contrário: usam o vexame como matéria-prima.
Edu não faz o caos. Ele é o caos. Um caos que, suspeita-se, acorda junto com ele, improvisa, faz com que esbarre na própria ideia no meio da frase e continue sem se lembrar —ou se importar— de onde tinha partido. Tatá é um fenômeno nervoso, um cérebro em 220 numa tomada de 110. Os dois brincam de perder a dignidade e transformam a TV num brinquedo nas mãos de duas crianças hiperativas –e nos puxam para dentro da bagunça, porque rir junto é admitir que vivemos o mesmo absurdo.









