Em 2018, diante da polarização que dominou o Brasil durante as eleições, Fernanda Torres tomou uma decisão drástica. Cancelou a temporada do monólogo "A Casa dos Budas Ditosos", no Rio de Janeiro, por temer o humor do que chamou de brigadas conservadoras.

À época, a classe artística vinha sofrendo uma série de ataques promovidos por eleitores do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro. "A covardia nos fez deixar a baiana libertária de João Ubaldo de molho", escreveu Torres, na ocasião. Após oito anos e perto de uma nova eleição presidencial, a atriz volta a encarnar a sexagenária despudorada que fascina espectadores, enrubesce reacionários e incendeia palcos ao longo de duas décadas.

Em cartaz no Vibra São Paulo, na zona sul da capital paulista, "A Casa dos Budas Ditosos" retorna, nesta quarta-feira (4), em curta temporada, com a mesma verve que o consagrou desde sua primeira montagem, em 2003. Depois desta primeira vez, dirigida por Domingos de Oliveira, a atriz voltou a encenar o espetáculo de forma sazonal em diferentes cantos do país, acumulando mais de 3 milhões de espectadores.

Em razão do sucesso e da longevidade, o monólogo se tornou um marco na carreira de Torres. É uma produção tão luminosa em seu currículo quanto "Ainda Estou Aqui" —filme que rendeu a ela o Globo de Ouro de melhor atriz e deu ao Brasil o seu primeiro Oscar— ou o seriado "Os Normais".