Entrar no site de um dos principais periódicos científicos do mundo e dar de cara com um besourinho encarapitado em cima de uma bola de cocô de proporções colossais (ao menos da perspectiva do inseto) definitivamente não estava na minha cartela de bingo, como dizem os jovens de hoje em dia. Por mais engraçada que a imagem pareça, porém, há algo um bocado sério por trás dela – mais uma prova de como cada pedacinho da biosfera depende de efeitos-dominós que nem sempre enxergamos ou imaginamos.

O bichinho da foto no site da revista Science é uma das quase 200 espécies de besouro-rola-bosta da savana da África Oriental. O nome dos bichos, claro, não podia ser mais autoexplicativo: sua vida é produzir bolotas com as fezes dos animais da savana, sustentando a si mesmos e a seus filhotes com esse abundantíssimo recurso alimentar.

Mesmo que você seja daquelas pessoas com estômago mais delicado, peço que não pare de ler ainda. É um trabalho sujo o do besouro-rola-bosta, mas alguém tem de fazê-lo. A capacidade que eles têm de processar quantidades tremendas de cocô agiliza a reciclagem de nutrientes do ecossistema, dispersa sementes (fazendo, portanto, novas plantas germinarem) e, por incrível que pareça, até diminui a quantidade de picadas de moscas que transmitem doenças para seres humanos e o gado. (A equação é simples: menos esterco = menos moscas).