Descoberta sugere que aves nativas podem ajudar a conter a expansão de uma das espécies invasoras mais problemáticas da região Cada ninho de píton birmanesa contém dezenas de ovos, representando um desafio para o ecossistema — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 08:13 Urubus ajudam a controlar pítons invasoras nos Everglades Pesquisadores da Universidade da Flórida documentaram pela primeira vez urubus devorando ovos de píton-birmanesa nos Everglades, sugerindo que aves nativas podem ajudar a controlar essa espécie invasora. A descoberta, detalhada na revista Reptiles and Amphibians, destaca a ação natural contra a expansão da cobra, que ameaça a fauna local. A pesquisa aponta que a fauna nativa, como jacarés e linces, já predam pítons em diferentes fases de vida. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pesquisadores da Universidade da Flórida identificaram, pela primeira vez, aves predando um ninho de píton-birmanesa nos Everglades, no sul da Flórida, em uma descoberta que pode representar uma nova frente natural no combate à expansão da espécie invasora na região. O caso foi detalhado em um estudo publicado recentemente na revista científica Reptiles and Amphibians. A observação ocorreu em 2023, durante uma operação de monitoramento de pítons na Área de Manejo de Vida Selvagem Francis S. Taylor, no Condado de Broward. Ao chegarem ao local para remover os ovos antes da eclosão, os pesquisadores encontraram ao menos quatro urubus sobrevoando o ninho e se alimentando da ninhada. Dos 17 ovos documentados, três estavam fora da cavidade original e reduzidos a fragmentos de casca. Os outros 14 permaneciam no ninho, mas apresentavam perfurações e sinais de que o conteúdo havia sido consumido parcial ou totalmente. Segundo os cientistas, as marcas observadas eram compatíveis com bicadas, e não havia indícios da presença de outros predadores ou necrófagos. A vegetação que cobria os ovos também havia sido removida, possivelmente pelas próprias aves. A píton fêmea foi localizada submersa em águas rasas, a cerca de 12 metros do ninho. Predadores nativos contra uma espécie invasora A descoberta amplia a lista de animais nativos que passaram a predar a píton-birmanesa, considerada uma das espécies invasoras de maior impacto ecológico nos Everglades. A cobra, originária do Sudeste Asiático, se estabeleceu na Flórida nas últimas décadas e ameaça diversas espécies locais. — Continuamos monitorando ninhos de pítons para aumentar nossa compreensão sobre a reprodução da espécie, além de remover os ovos antes da eclosão — afirmou Melissa Miller, professora assistente de ecologia de animais selvagens invasores da Universidade da Flórida, ao jornal El Nuevo Herald. — Nossa observação constitui o primeiro caso documentado de uma ave predando um ninho de píton e reforça as evidências de que a fauna nativa consome pítons invasoras em diferentes estágios do ciclo de vida. Outros predadores já haviam sido registrados atacando a espécie. Estudos do Serviço Geológico dos Estados Unidos apontaram que cobras-d’água, conhecidas como mocassins-d’água, se alimentam de filhotes de píton nos pântanos da Flórida. Em 2021, um lince-pardo foi filmado roubando e devorando ovos de uma píton na Reserva Nacional Big Cypress. Jacarés-americanos, cobras-índigo-orientais e até ursos-negros-da-Flórida também aparecem entre os possíveis predadores da espécie invasora. A preocupação dos pesquisadores se explica pela alta capacidade reprodutiva da píton-birmanesa. Segundo autoridades ambientais da Flórida, fêmeas adultas podem colocar entre 50 e 100 ovos por ano. Após a postura, elas costumam se enrolar sobre os ovos para protegê-los e regular a temperatura do ninho. No caso observado pelos cientistas, ainda não está claro se a fêmea abandonou temporariamente a área devido à presença dos urubus ou por outro motivo, permitindo o acesso das aves à ninhada.