Nos últimos anos, o Brasil se (mal) acostumou a ver cenas da Polícia Federal chegando de madrugada em residências de suspeitos de malfeitos para surpreendê-los. Uma operação cinematográfica realizada na última quarta (27) no sertão baiano repetiu esse script, mas, numa situação rara, os alvos do mandado de busca e apreensão eram 69 inocentes ararinhas-azuis (e duas araras maracanãs).
Ainda mais singular que o perfil da operação é a espécie que a motivou: a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), endêmica da caatinga brasileira, foi considerada extinta da natureza em 2000 e é uma das aves mais raras e cobiçadas do mundo.
Para isolá-las de um surto de circovírus, uma iniciativa conjunta entre o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e a PF as retirou de um criadouro particular em Curaçá, na caatinga, e as transferiu para um centro de quarentena na Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco), em Petrolina (PE).
Comandada pela bióloga Cláudia Sacramento, chefe da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio, a megaoperação durou 16 horas e contou com 40 pessoas, sendo 31 envolvidas diretamente na transferência (veterinárias e veterinários, entre os quais três peritos criminais da Polícia Federal especializados na área, biólogas, tratadores etc) e mais nove integrantes da PF –dois delegados e sete agentes.














