Campanha apoiada por atores e produtores quer proibir paquidermes em filmagens e ampliar uso de tecnologia para substituir animais nos sets Elefante selvagem na Índia em seu habitat natural — Foto: Pexels / Venkat Ragavan Tão tradicionais quanto as coreografias grandiosas, os elefantes fazem parte da linguagem visual do cinema indiano. Essa presença, porém, passou a ser questionada por artistas e ativistas que defendem a substituição dos animais por robôs ou imagens geradas por inteligência artificial (IA). Diretores, produtores e atores aderiram a uma campanha da organização de defesa dos direitos dos animais Peta para proibir a utilização de elefantes em filmagens. — Os elefantes não devem sofrer em nome do nosso entretenimento — afirmou o ator e produtor John Abraham: — A tecnologia agora permite que os elefantes ganhem vida na tela (...) sem aprisioná-los nem tratá-los de forma cruel. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), cerca de 50 mil elefantes asiáticos vivem em liberdade no mundo, a maioria deles na Índia. Além da população selvagem, o Ministério do Meio Ambiente indiano estima que aproximadamente 2.600 elefantes vivam em cativeiro no país, utilizados em atividades ligadas ao turismo, a templos religiosos e também ao cinema. Pressão cresce contra uso de elefantes em cativeiro A Peta afirma que animais mantidos em cativeiro são frequentemente "separados de suas famílias, acorrentados quase permanentemente e controlados com armas". Pela legislação indiana, a participação de elefantes em filmagens depende da aprovação da Junta de Bem-Estar Animal da Índia (IAWB). Em 2021, o governo indiano também passou a "recomendar" que os animais fossem substituídos por robôs ou efeitos especiais "para limitar o sofrimento animal". "Os elefantes são animais inteligentes, dotados de emoções, cujo bem-estar mental e físico exige que vivam na selva", defendem ativistas. "Ao contrário, os que aparecem em filmes, espetáculos e publicidade sofrem solidão e crueldade". A campanha já resultou na compra, financiada pela PETA, de 25 robôs mecânicos em tamanho real para substituir elefantes em cerimônias organizadas em templos hindus. O tema tem peso simbólico no país, onde Ganesh, divindade com cabeça de elefante, figura entre as mais veneradas do hinduísmo. IA já aparece como alternativa nos filmes A PETA agora promove o uso de inteligência artificial e de imagens geradas por computador como substitutos para os animais reais, solução já utilizada no filme "Tanhaji", lançado em 2020. "O bom cinema exige empatia", resumiu a atriz Pooja Bhatt. "É possível contar histórias fabulosas na tela sem explorar os animais."