Com novo percurso, horário de largada antecipado e atletas de elite com tempos próximos às melhores marcas no país, a Maratona Internacional de Porto Alegre Olympikus inicia busca pelo recorde da distância entre as grandes maratonas brasileiras. O evento começa neste sábado a partir das 6h30 com as provas de 5km, 10km e 21km e a maratona será realizada neste domingo, às 6 horas. Ao todo 30 mil pessoas correrão em Porto Alegre, sendo 10.500 nos 42km. O evento reunirá participantes de todos os estados brasileiros e de mais de 25 países. Além desta maratona, a Maratona do Rio de Janeiro, em 7 de junho, e a da New Balance 42K Porto Alegre, em 12 de julho, são consideradas as melhores do país, segundo ranking da World Athletics, e buscam os mesmos recordes. Este ranking classifica as provas de todo o mundo pela soma de resultados de atletas, um "ranking de performance, desempenho". Ocupam o Top 200, sendo a da New Balance classificada em 125.º, a da Olympikus em 128.º e a do Rio, que tem a Adidas como marca esportiva parceira, em 131.º. Maratona de Porto Alegre 2025 — Foto: Divulgação — Temos grandes chances de recordes antes das nossas concorrentes, em ambas as provas — aposta Paulinho Stone, diretor técnico da Maratona de Porto Alegre, maratonista e treinador em duas assessorias esportivas na cidade. — Acredito que teremos uma marca contundente no feminino. A marca feminina a ser batida é da queniana Jemima Sumgong, 2h24min04, feita na maratona dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E a masculina, também obtida durante a Olimpíada, é de Eliud Kipchoge, do Quênia, 2h08min44. Organizadores de provas, porém, também usam como referência os melhores tempos obtidos em eventos específicos de maratona. Neste caso, as referências são Tiringo Mulu, com 2h29m48s, do feminino, tempo obtido no ano passado nos 42km da New Balance, em Porto Alegre. E 2h11min19, de Vanderlei Cordeiro de Lima, de 2002, na Maratona de São Paulo. Paulinho explica que aposta em recorde no feminino por conta da performance da elite desta edição: a etíope Gelane Senbete tem como melhor tempo pessoal 2h26min28, de 2025. E as quenianas Lucy Nthenya (2h28min00, de 2026) e Emily Chebet (2h32min30, de 2026) também chegarão fortes. A lista inclui ainda as argentinas Florencia Borelli, atual recordista sul-americana da maratona com 2h24m18 (2024), e Marcela Cristina Gomez (2h28m58, de 2020). O recorde desta prova, da queniana Ednah Mukhwana, é mais "fácil" de bater: 2h32min41, de 2013. No masculino, entre os destaques da elite estão os quenianos Eliasa Kibet (2h08m47, de 2024), Hillary Biwott (2h09min19, de 2025), Daniel Hiprono Sang (2h09min20, de 2026), Paul Kibet (2h09min51, de 2024) e Victor Kiplimo (2h11min00, de 2025). Maratona de Porto Alegre: mudanças de dia, horário e percurso — Foto: Buena Onda/Divulgação Olympikus Todos têm tempos para superar a marca de Vanderlei e de Luís Carlos da Silva, o recordista desta prova gaúcha: 2h12min59, cuja marca é de 1994. Corre paralelo No mundo do running há uma "corrida paralela" entre os eventos e seus respectivos patrocinadores pela derrubada do recorde da maratona no país. Para tanto, as provas oferecem premiações extras aos que superarem essas barreiras. Há bônus tanto para recorde de prova, quanto para as melhores marcas no país, sul-americanas, entre outros. A Olympikus, que há cinco anos patrocina a Maratona de Porto Alegre, passou a ser o naming rights da prova e aumentou seu investimento nesta edição. A premiação apenas da maratona será de R$ 746 mil e pode chegar a R$ 1.054 milhão em caso de recordes. Os campeões da maratona (masculino e feminino) receberão R$ 150 mil cada. Há ainda bônus de R$ 100 mil para quem estabelecer a melhor marca de uma maratona realizada no Brasil (as referências são as marcas obtidas em eventos de maratona). Essa é a segunda maior premiação do país, atrás apenas da Maratona do Rio, com R$ 1.200 milhão de premiação garantida para os 42km e mais R$ 150 mil em caso de recorde. Maratona de Porto Alegre 2025 — Foto: Divulgação A Maratona do Rio também já divulgou seus atletas de elite e mostrou esperança na briga por estas marcas. Já os 42K da New Balance tem como chamariz a presença de Kipchoge, de 41 anos, que iniciou projeto pessoal de correr sete maratonas nos sete continentes. Estreou em Cape Town, na África (ficou em 16.º, com 2h13min29; e em segundo lugar na categoria master). E o clima é favorável para recordes, uma vez que o queniano Sebastian Sawe quebrou a barreira das 2 horas na Maratona de Londres, há um mês. Essa marca era perseguida há tempos. — Porto Alegre reúne condições climáticas e de altimetria para correr sim (abaixo do recorde) e, inclusive se o Sebastian Sawe corresse em Porto Alegre, seria abaixo das 2 horas também. Temos uma prova extremamente plana e rápida e com menos altimetria que Londres (85 metros). Ou seja, com as condições ideais — respondeu Paulinho ao GLOBO, quando questionado sobre o oba-oba por causa do feito de Sawe. — Mas, infelizmente, não temos o mesmo poder aquisitivo de Londres para trazer esses atletas. É coisa na casa de milhão de dólares. Paulinho, que gosta de comparar a Maratona de Porto Alegre à de Valência, lembra que a cidade espanhola, cuja maratona é considerada a mais rápida do mundo, tem justamente a "vantagem" do aporte financeiro. É a mais rápida do mundo pela qualidade e quantidade dos tempos de seus corredores, tanto da elite, como também pelo maior número de corredores, proporcionais, sub 3 horas. É a maratona fora do circuito major mais bem colocada no ranking da World Athletics, ocupando o quarto lugar — atrás das majors Londres, Chicago e Tóquio e à frente de Boston e Berlim, por exemplo, na lista atual. Se transformou em prova desejo depois que o bilionário Juan Roig, por meio da Fundação Trinidad Alfonso (que leva o nome de sua mãe), passou a investir. O atual recordista da prova é o etíope Sisay Lemma, que completou o percurso em 2h01min48. Sua compatriota Amane Beriso tem 2h14min58. — Valência tem um time que fica no Quênia para olhar quem são os caras, os futuros corredores e conseguem investir para levar esses corredores de elite. Tivemos um aporte maior esse ano, com a Olympikus, mas são coisas diferentes. A tendência é que, com esta parceria, a prova cresça em número de corredores. Temos margem para crescer na maratona — espera Paulinho. Paulinho Stone: diretor técnico da Maratona de Porto Alegre — Foto: Buena Onda/Divulgação Olympikus Percurso e clima Percurso e clima são os pontos fortes da Maratona de Porto Alegre Olympikus. E para esta edição, a de número 41, o percurso foi ajustado para ser "o mais rápido do país". Os 42km possuem apenas 14 metros de altimetria acumulada, privilegiando trechos no Centro Histórico e na Orla do Guaíba. O trajeto foi redesenhado para eliminar subidas na Zona Sul, com a prova passando agora duas vezes pelo Centro Histórico e mantendo tradicionais pontos turísticos. Segundo Paulinho, foram eliminados cerca de 8 quilômetros desta área, que era a que tinha maior altimetria. Ele garante que além de ser rápido, o percurso é bonito e "disso a organização não abre mão". — Essa parte da Zona Sul não era nada demais, mas a galera que quer correr rápido pedia para tirar, assim como algumas alças de acesso a viadutos — explica Paulinho, que cita questões de viabilidade pública para não incluir a Avenida Oswaldo Aranha, uma das vias mais tradicionais, planas e arborizadas de Porto Alegre no trajeto. — Neste caso, um exemplo, "travaria" o acesso ao Hospital de Pronto Socorro. Ou seja, o que temos hoje é o melhor e mais rápido percurso possível na cidade. Para potencializar a busca por novas marcas tanto na elite quanto entre os corredores amadores, as largadas foram antecipadas, em relação aos anos anteriores para garantir temperaturas mais amenas. A maratona, neste domingo, começa às 6h. Maratona de Porto Alegre passa dentro do Mercado Público — Foto: Buena Onda/Divulgação Olympikus Paulinho lembra que além da elite, os corredores amadores também buscam seus recordes pessoais e marcas expressivas para poder correr lá fora, em maratonas com exigência de tempo mínimo. E estes índices gringos são sempre fortes. — No ano passado, o que não é comum, os corredores da elite vinham dentro do recorde ate o quilômetro 31. Quando entraram na Beira Rio novamente pegaram vento contra. Mas, em 99% vezes o clima é perfeito — comenta ele. — Nosso percurso é mais bonito, atrativo, temos mais espaço para a torcida e é o mais plano (o da New Balance, também em Porto Alegre, tem 20 metros de ganho de elevação). Além disso, temos pontos de hidratação a cada 2,5 quilômetros e seis pontos de isotônicos no percurso, e alimentação como rapadura e paçoca que faz a festa do atleta amador. Outro diferencial para os corredores de todos os níveis está no kit-atleta, que este ano conta com um par de meias de alta performance da Olympikus. A marca, ainda, lança no evento o Corre Turbo Edição Especial Porto Alegre, tênis oficial da prova que estará disponível para venda exclusiva no site e na loja oficial da Expo. * A repórter viaja a convite da organização
Maratona de Porto Alegre dá a largada à caça dos recordes dos 42km no país
Tempos são de 2016 e podem cair já no evento da Olympikus na capital gaúcha; percurso está mais rápido










